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24 Janeiro, 2023

Festas de Campo Maior podem só se realizar em 2024

A inflação e os prejuízos causados pelo mau tempo em Campo Maior são dois fatores que levam o município a sugerir que as tradicionais Festas do Povo sejam realizadas apenas em 2024.

O presidente da Câmara de Campo Maior, Luís Rosinha, em declarações à Agência Lusa diz que a sua “sugestão” passa por realizar o evento no próximo ano, por ser “mais seguro financeiramente” para o município e também atendendo ao “ponto de vista” económico do país e do mundo, nesta altura.

As Festas do Povo de Campo Maior foram reconhecidas, em 2021, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) como Património Cultural Imaterial da Humanidade, só acontecem quando “o povo quer”.

Estas tradicionais festas realizaram-se pela última vez em 2015.

Recorde-se que aquando da inauguração do Centro Interpretativo das Festas do Povo em Campo Maior, em agosto de 2022, a autarquia manifestou vontade em realizar o evento no verão de 2023. Porém, o “percalço” provocado pelos prejuízos causados pelo mau tempo no concelho, no dia 13 de dezembro, com inundações, cheias, danos em habitações, equipamentos municipais e na agricultura, levou a uma “mudança” de prioridades, lembrou o autarca à Agência Lusa.

“há uma mudança de prioridades”

De acordo com Luís Rosinha “há uma mudança de prioridades” também “na mentalidade” do executivo, tendo a questão das Festas do Povo ficado “um tanto ou quanto de parte” daquilo que era a agenda política.

“Prejuízos provocados pelo mau tempo na ordem dos 3,9 milhões de euros”

O concelho regista prejuízos provocados pelo mau tempo na ordem dos 3,9 milhões de euros, sem contabilizar os prejuízos causados no setor da agricultura, realça o autarca.

O município aguarda “a regulamentação” dos apoios anunciados pelo Governo, diz Luís Rosinha, acrescentando, contudo, que, “por aquilo que vai sendo as notícias” só espera “vir a ter apoios na ordem dos 60%”.

“Portanto, a câmara municipal, já para começar, tem 40% de gastos que não tinha no mês passado”, explica, esclarecendo, contudo, que não coloca de parte a realização das festas este ano porque “é claramente” uma decisão que não depende única e exclusivamente do executivo municipal, mas sim da vontade do povo.

Aumento dos custos na organização do evento

Em declarações à Lusa, o presidente da autarquia alerta ainda para os problemas causados pela inflação, nos últimos tempos, sublinhando que o preço do papel para a elaboração das flores está “claramente num valor muito superior”, bem como o custo de outros materiais necessários para realizar o evento.

“Em vez de estarmos a falar, se calhar, num evento que, nos outros anos, custa em torno dos 1,2 a 1,3 milhões de euros, neste momento, podemos estar a falar em muito mais”, alerta.

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