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25 Abril, 2025

Cravos e Silêncio: Elvas uniu Liberdade e Fé no 25 de Abril

Ao início da manhã desta sexta-feira, 25 de Abril, a cidade de Elvas assinalou nos Paços do Concelho mais um aniversário da Revolução dos Cravos.

A Banda 14 de Janeiro tocou o Hino Nacional, enquanto eram içadas as bandeiras Nacional, da UE e do Município de Elvas.

Antes deste momento solene, o Presidente da Câmara Municipal de Elvas, Rondão Almeida pediu à população que se cumprisse um minuto de silêncio em memória do Papa Francisco, tendo a Praça da República ficado em silêncio sepulcral.

“Houve um saneamento geral”

Rondão Almeida

Na altura em que aconteceu a Revolução, Rondão Almeida tinha 31 anos. Hoje, passados 51 anos sobre aquele Abril de 74, o Presidente da Câmara de Elvas confessa que “se sentiu desprotegido” e que viveu os anos posteriores “com muita preocupação”:

“Naquele 25 de Abril eu estava em Reguengos de Monsaraz. Profissionalmente chefiava os serviços das escolas do distrito de Évora e vivi aqueles dias e anos seguintes com muita preocupação. Confesso até que que não gostei dos procedimentos tomados naquela altura em que todas as chefias tinham de ser deitadas abaixo, sem qualquer critério. Houve um saneamento geral sem se ter a preocupação de olhar a avaliar as qualidades de cada um.

“Transformei-me num anti-revolucionário de Abril”

Rondão Almeida

Posso mesmo dizer que me transformei num anti-revolucionário de Abril. Não alinhei, de forma alguma, com o que aconteceu nos anos de 74, 75 e 76. Foi algo que mexeu muito com a minha vida e do meu pai. Esses anos foram sentidos por nós como negativos. Depois, a instalação da democracia começou a amadurecer com Mário Soares e Sá Carneiro que foram capazes de dar estabilidade ao país”.

Rondão Almeida recordou que viveu a revolução em pleno coração do Alentejo:

“Eu vivi a revolução a passar de concelho em concelho e só se viam “zorras” a caminho de Évora a fazerem manifestações. Quando regressei a Elvas pensei imediatamente que a revolução ainda não tinha chegado cá”.

O impacto da queda do regime e todo o processo de instalação do sistema democrático em Portugal, deixou marcas no autarca elvense.

“Tudo isso mexeu muito comigo e com a minha forma de estar na sociedade. Senti-me, naquela altura, desprotegido e fui membro ativo na criação do primeiro sindicato do Ministério da Educação para me poder defender e defender todos os que trabalhavam no setor. Fui um anti-revolucionário até que a democracia começasse a surgir em pleno no nosso país”.

“Naquela altura era muito difícil o filho de um hortelão ser Presidente de Câmara”

Rondão Almeida

O Presidente da Câmara de Elvas reconhece que ao longo destes 51 anos “houve uma grande evolução” na sociedade, nas mentalidades, no sistema e na igualdade de possibilidades:

“Eu vivi naquele passado e a única coisa que ambicionávamos era passar de dia para dia. Naquela altura era muito difícil o filho de um hortelão ser Presidente de Câmara”, lembrou.

Nesta manhã de 25 de Abril foram distribuídos cravos pela população. Também na Praça da República decorreu a final do Torneio da Malha com mais de uma centena de participantes.

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