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21 Agosto, 2025

Candidato MCPE Rondão Almeida desafia Mocinha e traça futuro de Elvas: “Não fujo aos meus 24 anos de gestão”

Candidato do Movimento Cívico por Elvas (MCPE) apresenta estratégia de habitação para jovens casais, sem fundos externos, garante urgências até ao final do ano e deseja Unidade de Cuidados Continuados. Defende a expansão industrial e reforço do turismo, pedindo confiança para concluir o projeto iniciado.

Rondão Almeida defende debate com Nuno Mocinha e apresenta continuidade na estratégia de habitação para Elvas

A Perspetiva entrevistou o candidato do Movimento Cívico por Elvas (MCPE) às eleições autárquicas de 2025, José Rondão Almeida. 

Rondão Almeida é um autarca com um longo percurso à frente da Câmara Municipal de Elvas, cargo que exerceu entre 1993 e 2013, e ao qual regressou em 2021, agora como independente.

O candidato, que exerce atualmente o cargo de presidente da Câmara Municipal de Elvas, começou por sublinhar a diferença entre candidaturas partidárias e independentes, defendendo que o seu movimento não beneficia de votos fidelizados, estando mais dependente da apreciação do seu perfil e do trabalho desenvolvido.

Rondão Almeida destacou ainda que, entre os cinco candidatos apresentados à corrida eleitoral em Elvas, apenas dois têm responsabilidades passadas na gestão autárquica: ele próprio e Nuno Mocinha  e, por isso, devem ser alvo de maior escrutínio por parte dos eleitores.

“Nuno Mocinha não pode fugir à responsabilidade de oito anos, tal como eu não posso fugir aos meus 24 anos de gestão”

Rondão Almeida

Habitação: um projeto de continuidade

Sobre a estratégia local de habitação, o candidato referiu que esta acompanha o seu percurso desde 1997, recordando a erradicação dos bairros de barracas no Forte de Santa Luzia e na Boa Fé. Destacou também a recuperação de fogos no centro histórico durante os seus mandatos anteriores e sublinhou que a habitação “não é um tema novo” para si, mas uma política que tem desenvolvido há décadas.

Entre as medidas em curso, salientou a construção de 60 fogos destinados à classe média, já em fase de conclusão, e a aposta na construção evolutiva para jovens nas aldeias, através da disponibilização de terrenos a preços mais acessíveis. Revelou ainda negociações para aquisição de blocos habitacionais na cidade, junto às antigas oficinas do Mário e frente ao Museu de Arqueologia e Etnografia, onde pretende construir novos apartamentos e instalar uma residência artística.

“A Câmara não é um empreiteiro, é um organismo que tem de fazer obra pública olhando para a vertente social”, sublinhou Rondão Almeida, explicando que a operação será financiada com recursos próprios do município, sem recurso a fundos comunitários ou empréstimos bancários.

Rondão Almeida

Outra novidade é a reabilitação de um prédio na Estrada de Santa Rita, destinado a 10 casais jovens com menos de 35 anos. Os apartamentos, de tipologia T3 e com valor estimado de mercado de 280 mil euros, serão disponibilizados a preço de custo, ou seja cerca de 130 a 140 mil euros, através de sorteio público com notário.

“Para a concretização deste projeto não vou recorrer a nenhum programa, fundo comunitário, empréstimo ou IHRU. Não! Os apartamentos serão recuperados, através da bolsa que a Câmara alcançou, ou seja, o saldo positivo. A construção vai-me custar cerca de 1 milhão, sendo que a aquisição dos imóveis custou 300 mil. Mas a Câmara não é um empreiteiro, é um organismo público que tem de olhar pela vertente social. Portanto, 1 milhão e 300 mil euros a dividir por 10 apartamentos, dá uma média de 130 mil euros. Será esse o preço de venda”, explicou.

Bairro das Pias: atenção redobrada

Questionado sobre o bairro das Pias, Rondão Almeida foi mais reservado, assegurando apenas que a autarquia “estará atenta à degradação das habitações” e irá agir consoante a evolução da situação.

Rondão Almeida quer garantir urgências em Elvas e aposta em Unidade de Cuidados Continuados

Na entrevista concedida à Perspetiva, o candidato do Movimento Cívico por Elvas, José Rondão Almeida, reforçou a sua preocupação com a perda de valências no Hospital de Santa Luzia, alertando para a necessidade de o poder local defender os interesses da população.

Segundo o candidato, o hospital já foi uma unidade de referência regional, mas perdeu resposta após a criação das Unidades Locais de Saúde (ULS), com o consequente reencaminhamento de doentes para os hospitais distritais de Évora e Portalegre. Rondão Almeida assegura que é fundamental manter o atual nível de funcionamento:

“O Hospital não pode transformar-se num centro de saúde. Menos do que já temos, não aceitamos.”

Rondão Almeida

Urgências asseguradas até dezembro

O candidato explicou que já existe um acordo entre o Corpo Clínico e a Administração da ULS do Norte Alentejano que garante a manutenção das urgências em Elvas até 31 de dezembro de 2025. Reforçou, no entanto, que é sua prioridade garantir que esse serviço não esteja em risco após janeiro de 2026.

Compromisso com novos serviços de saúde

Rondão Almeida revelou ainda uma conversa com o presidente da ULS do Norte Alentejano sobre a possibilidade de alargar o Hospital de Elvas para instalar uma Unidade de Cuidados Continuados, que poderia nascer com um investimento adicional estimado entre 2 a 4 milhões de euros.

“Não faz sentido os doentes continuarem a ser enviados para Vila Viçosa ou para Arronches. Elvas deve ter a sua própria Unidade de Cuidados Continuados.”

O candidato destacou também a importância da Unidade de Cuidados Familiares, uma equipa multidisciplinar que acompanha doentes ao domicílio. Nesse sentido, garantiu disponibilidade da Câmara Municipal para celebrar protocolos de colaboração, permitindo alargar este serviço a todas as freguesias rurais do concelho.

Novo Hospital de Évora: dúvidas sobre o impacto

Por fim, Rondão Almeida deixou no ar uma questão sobre o futuro da rede hospitalar no Alentejo:

“O que é que o novo Hospital Central de Évora vai retirar aos hospitais de Elvas, Portalegre e Beja?”

Rondão Almeida critica “coveiros” da plataforma logística e aposta na expansão da zona industrial de Elvas

Na entrevista, o candidato do Movimento Cívico por Elvas à Câmara Municipal, José Rondão Almeida, abordou as suas ideias para atrair investimento e gerar emprego no concelho, destacando os desafios da mão de obra, o peso dos contact centers e a necessidade de recuperar projetos estruturantes para a região.

“Há falta de mão de obra em Elvas”

Rondão Almeida

O candidato começou por sublinhar que, nos últimos dez anos, Elvas registou um crescimento significativo nos setores da restauração e hotelaria, mas enfrenta hoje dificuldades em encontrar trabalhadores para essas áreas. Também os contact centers, que empregam atualmente mais de 2 mil pessoas, carecem de jovens disponíveis para integrar as equipas.

Na agricultura, defendeu, o problema é idêntico, com escassez de pessoas interessadas em trabalhar no setor. Rondão Almeida apontou responsabilidades ao Estado central:

“Dos alunos formados no Instituto Politécnico de Portalegre, apenas 4% ficou no interior. Estamos a formar gente no Alentejo para depois exercer e deixar o seu valor no litoral. A resposta não está no poder local, mas no poder central.”

Oportunidade perdida com a plataforma logística

O candidato recordou ainda a oportunidade perdida com o projeto da plataforma logística Elvas–Caia, integrado no programa Portugal Logístico em 2006. Segundo Rondão Almeida, este projeto teria permitido uma alteração profunda no tecido económico e social da região, criando milhares de postos de trabalho.

Apontou como responsáveis pelo “fracasso” o então ministro das Infraestruturas, Pedro Marques, e dois elvenses com cargos de responsabilidade: Nuno Mocinha, então presidente da Câmara de Elvas, e José Chocolate Contradanças, na  administração do Porto de Sines.

“Foram os três grandes coveiros que, com o seu silêncio, deixaram nas costas dos elvenses a fuga deste projeto para o lado espanhol.”

Rondão Almeida acrescentou que, na altura, se limitou a assistir como vereador, mas considera que estas figuras “terão agora de ser julgadas pelo futuro”.

Expansão da zona industrial

Já no atual mandato, o candidato afirmou ter procurado recuperar parte dessa oportunidade, com a expansão da zona industrial de Elvas, que passou a contar com mais 150 mil metros quadrados. Destacou ainda a assinatura de um financiamento de 5 milhões de euros, envolvendo a ministra da Coesão Territorial, a CCDR e a Câmara Municipal, para infraestruturas de apoio.

“Perdemos a plataforma, é um facto. Mas podemos ser um complemento, atraindo pequenas e médias indústrias para o lado de cá.”

Novos investimentos e empregos

Entre os investimentos mais recentes em Elvas, Rondão Almeida destacou:

  • A instalação de uma empresa de cannabis, em 2022, que já criou mais de 100 empregos, mais de metade qualificados, com potencial para 200 a 300 postos de trabalho.
  • A entrada da empresa FertiPrado, com um investimento entre 4 a 5 milhões de euros.
  • O projeto da empresa  Lagarices, com um investimento de cerca de 8 milhões de euros.
  • A abertura do McDonald’s, que criou 60 novos empregos no concelho.

Rondão Almeida quer reforçar turismo em Elvas e aposta na recuperação do património histórico

O candidato do Movimento Cívico por Elvas à Câmara Municipal, José Rondão Almeida, destacou a importância do turismo e do património para o desenvolvimento do concelho, lembrando que Elvas é cidade classificada como Património Mundial da UNESCO desde 2012.

Turismo em crescimento

Rondão Almeida sublinhou que, desde a classificação da UNESCO, Elvas duplicou o número de camas turísticas e triplicou o número de visitantes, contando atualmente com 1260 camas disponíveis.

“Foi uma alavanca importantíssima este selo da UNESCO. Em 2012 conseguimos este estatuto porque recuperámos e reutilizámos o património, como os fortes e os quartéis”, recordou.

Investimentos no património

O candidato enumerou ainda os investimentos realizados no atual mandato, mesmo sem enquadramento num quadro comunitário ativo, recorrendo sobretudo a superávits municipais:

  • Cineteatro, com uma obra de mais de 2 milhões de euros, ainda em curso.
  • Segunda fase do Aqueduto da Amoreira, aguardando aprovação em quadro comunitário, com um investimento de mais de 1,5 milhões de euros.
  • Casa António Sardinha, com um investimento de cerca de 200 mil euros.
  • Centro histórico e aldeias, com a aquisição de 80 prédios que resultaram em mais de 100 apartamentos recuperados.

Rondão Almeida reconheceu que não conseguiu aproveitar em pleno o quadro comunitário Portugal 2020, que já se encontrava no final quando regressou à presidência da Câmara. Ainda assim, destacou que já iniciou trabalho no novo Portugal 2030.

“O 2020 foi bem aproveitado pelo Dr. Nuno Mocinha. Eu tive a pouca sorte de encontrar esse quadro praticamente fechado. Mas com os superávits fizemos imensas obras que estão à vista.”

Rondão Almeida garante última candidatura e pede confiança para concluir projetos em Elvas

O candidato do Movimento Cívico por Elvas, José Rondão Almeida, sublinhou, em entrevista à Perspetiva, que as eleições autárquicas de 12 de outubro de 2025 serão a sua última candidatura à Câmara Municipal de Elvas.

“Quem perde eleições é quem está no poder”

Rondão Almeida

Sobre a disputa eleitoral, Rondão Almeida afirmou que “quem ganha e perde eleições é quem está no poder”, considerando que os eleitores punem quando sentem que o exercício do mandato não corresponde às suas preocupações. No caso pessoal, disse estar de “consciência tranquila”:

“Fizemos tudo o que podíamos ao longo destes quatro anos. Equilibramos as contas da autarquia, executámos obras em todas as freguesias e deixamos ainda 12 milhões de euros de disponibilidade financeira para projetos futuros.”

Gestão financeira e investimento nas freguesias

O candidato recordou que “herdou oito milhões de euros em encargos assumidos”, mas que, apesar disso, conseguiu equilibrar as contas e investir cerca de seis milhões de euros nas freguesias:

“Por oito anos as aldeias foram esquecidas. Nestes últimos quatro, todas sentiram o poder local.”

Maiorias e trabalho político

Quanto ao futuro, Rondão Almeida garantiu que é possível governar mesmo sem maioria absoluta, lembrando que em 2021 conseguiu estabilizar a governação em pouco tempo. Sobre uma eventual colaboração com Nuno Mocinha, sublinhou:

“Trabalharei com o Nuno Mocinha se ele vier com disposição de fazer alguma coisa pelas pessoas e não por ele.”

Projetos futuros: habitação, segurança e apoio social

Entre as prioridades para o próximo mandato, Rondão Almeida destacou:

  • Habitação: resolver o problema estrutural no concelho.
  • Segurança: implementação de um programa de videovigilância já em vias de aprovação pelo Ministério da Administração Interna e criação de um quadro de guardas noturnos da Câmara, para atuar entre as 22h e as 6 da manhã como complemento das forças policiais.
  • Equipamentos sociais: aumentar a capacidade de creches e lares, com projetos como:
    • +22 camas em Santa Eulália (1,5 milhões de euros);
    • aumento de camas em Vila Fernando, São Vicente e Terrugem;
    • construção de um Centro de Dia em Varche/Calçadinha, freguesia de São Brás e São Lourenço;
    • criação de um lar de referência no Alentejo, em Vila Boim, destinado a casais de idosos.

Rondão Almeida destaca percurso de 30 anos na educação em Elvas

Candidato do Movimento Cívico por Elvas recorda investimentos no parque escolar e anuncia novos projetos na área da educação, cultura e turismo

O candidato à presidência da Câmara Municipal de Elvas, José Rondão Almeida, sublinhou em entrevista a importância da educação no seu percurso autárquico, destacando que esta tem sido uma prioridade ao longo de três décadas de governação local.

“Não posso falar no futuro sem eludir ao presente e ao passado”, afirmou, lembrando que quando iniciou funções, em Elvas apenas existiam “a escola industrial e comercial e o ciclo de Santa Luzia”. Desde então, enumerou, foram construídas novas infraestruturas, como a Escola Básica de Vila Boim – que permitiu agregar alunos das aldeias até ao 9.º ano – e a Escola da Boa Fé, além da requalificação da Escola Secundária de Elvas e da criação da atual Escola Superior de Biociências.

No ensino superior, destacou ainda a construção de duas residências para estudantes e a cedência de edifícios na antiga escola de Santa Luzia ao Instituto Politécnico de Portalegre, com vista ao alargamento da oferta formativa.

Rondão Almeida salientou também as políticas sociais de apoio aos alunos, afirmando que Elvas “é recordista nacional na atribuição de bolsas de estudo e bolsas de mérito”. O candidato acrescentou que o objetivo passa por garantir que “ninguém deixe de estudar ou terminar o ensino superior por falta de acesso a bolsas”.

Investimento no parque escolar

No que respeita ao futuro próximo, Rondão referiu que já existe projeto e candidatura para a requalificação de escolas com mais de 20 anos, como a da Boa Fé e a de Vila Boim, num investimento previsto de 2 milhões de euros em cada uma. O parque escolar mais antigo, dos anos 50, será igualmente alvo de intervenção, com aposta na eficiência energética. O investimento global nesta área ronda os 7 milhões de euros, sublinhou o candidato.

Cultura e turismo em agenda

Para além da educação, Rondão Almeida abordou ainda outros setores, anunciando a recuperação de um edifício em frente ao Museu de Arqueologia e Etnografia Tomás Pires, destinado a residência artística.

Na área do turismo, defendeu uma estratégia de promoção assente na captação de “influencers” que possam experienciar e divulgar Elvas, bem como a realização de workshops com agentes turísticos nacionais e internacionais, em articulação com a Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo e a Extremadura espanhola.

 “A minha campanha começou em 2021”: Rondão Almeida perspetiva eleições autárquicas em Elvas

Candidato do Movimento Cívico por Elvas afirma que o trabalho desenvolvido no atual mandato é a base da sua candidatura às eleições de 12 de outubro

José Rondão Almeida considera que a sua campanha eleitoral para as autárquicas de 12 de outubro não começa agora, mas sim em setembro de 2021, no momento em que tomou posse como presidente da Câmara Municipal de Elvas. “A minha campanha começou no dia em que assumi funções, mantendo uma relação social com todos os elvenses”, afirmou.

O candidato sublinhou que, desde então, tem procurado manter uma proximidade direta com a população, através de atendimentos presenciais no gabinete pelo menos uma vez por semana, mas também por telefone e plataformas digitais. “Hoje faço ainda mais atendimentos por chamadas, SMS e WhatsApp do que no meu próprio gabinete. Todas as pessoas têm o meu número e eu respondo a todas”, destacou.

Para Rondão Almeida, a campanha assenta no trabalho desenvolvido ao longo do mandato: “A minha campanha é o trabalho e a minha equipa será julgada por isso”.

Redes sociais e proximidade digital

Questionado sobre a sua forte presença nas redes sociais, o candidato, atualmente com 82 anos, rejeita a ideia de estar afastado das novas tecnologias. “Nunca me desatualizei. Fui dos primeiros a introduzir um computador em Portugal, enquanto delegado do Instituto da Juventude, em colaboração com o ministro Couto dos Santos. Trouxemos o primeiro computador para o país e chegámos a dar formação a juízes e delegados do Ministério Público”, recordou, referindo-se aos tempos em que apenas se utilizavam os programas Basic e MS-DOS.

Num tom mais pessoal, Rondão Almeida rematou: “Apesar dos meus cabelos brancos, não tenho perdido muitos dias da minha vida”.

“O meu legado é a obra feita”

Rondão Almeida assegurou que não voltará a candidatar-se após 2025, pedindo aos elvenses confiança para cumprir o que considera ser o seu último grande mandato:

“Peço a todos que voltem a confiar em mim e me deem condições para levar por diante mais este mandato. O meu legado é a obra feita e está à vista de todos.”

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