Moura FernandesOpinião
1 Maio, 2016

A Educação – a Curiosidade

Nunca encontrei, na minha atuação de docente, um aluno sequer que tenha ficado feliz por ter alcançado um resultado negativo fosse em que prova fosse.

Há um tempo atrás, num programa televisivo, ouvi, da boca do professor Quintanilha, mais ou menos o seguinte: “A maior força que motiva uma criança é a curiosidade. A satisfação desse apetite pelo saber é fonte de felicidade”.

Nunca encontrei, na minha atuação de docente, um aluno sequer que tenha ficado feliz por ter alcançado um resultado negativo fosse em que prova fosse. Notei, Pelo contrário, que as classificações positivas, mormente as elevadas, eram causa de contentamento e de felicidade. Notei ainda que a auto-estima se degradava à medida que a incidência de maus resultados ocorria e que o êxito era causa, normalmente, de outros sucessos positivos. (Um destes dias hei-de contar-lhes a história de um menino que se “transformou” intelectualmente, a partir do momento que que obteve uma nota de excelente).

Voltemos à curiosidade e à sua consequente felicidade quando satisfeita, segundo o professor Quintanilha.

O que aconteceu ao cérebro cuja curiosidade não é satisfeita? E quando desperta essa curiosidade? E quem a pode saciar? Poderíamos produzir outras interrogações pertinentes. Respondamos, para já, a estas.

O professor Orlando Lourenço enuncia, no seu fecundo livro “Psicologia do Desenvolvimento Cognitivo“ que dos 0-2/3 anos de vida são o período de maior aquisição cognitiva do ser humano.

Quer isto dizer que a curiosidade máxima corresponderá numa uniformização (havemos de refletir, também, sobre a importância desta palavra na estruturação cerebral) magnanimamente potenciada. Para um período tão curto de vida não nos podemos dar ao desleixo de incorrer na pobreza cognitiva e na impiedosa participação na infelicidade humana.

De facto o grande inimigo do homem, enquanto ser conhecedor e feliz, é o tempo, ou antes, a brevidade que dele dispomos para alcançar metas tão preciosas, como o conhecimento e a felicidade a que, por via dele, todo o ser humano tem direito.

Esta fase etária (0-2/3) é denominada pela neurologia como a fase de grande plasticidade cerebral. Adita fase da “esponja”, em que tudo se aprende e tudo se retém.

O mais importante, no entanto, não é apenas o que se fica a saber, mas as consequentes estruturas cerebrais que se controlam e que irão determinar toda a estrutura cerebral do homem.

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