Várias igrejas e capelas da vila de Monforte estão a ser alvo de intervenções, ao nível da sua conservação e restauro.
No âmbito de uma parceria estabelecida entre o Município e a Paróquia local, foram empreendidos, durante a última década, sob coordenação de Patrícia Cutileiro, a conservadora restauradora responsável, vários trabalhos nesta área.
“Magnífico Retábulo Setecentista e Caixa de Órgão”


Por ocasião de uma visita efetuada pelo Presidente do Município de Monforte, Gonçalo Lagem, e o Pároco do Concelho, Padre Ronildo Faria dos Santos, à Igreja Matriz, Patrícia Cutileiro fez o ponto da situação dos trabalhos que aí estão a decorrer e destacou ainda os que já foram concluídos na Igreja da Ordem Terceira “com uma primeira fase de intervenção no magnífico Retábulo Setecentista e Caixa de Órgão”.
Altar de Nossa Senhora do Parto


“No entanto”, esclareceu a responsável, “é na Igreja Matriz que tem vindo a ser executada uma intervenção sistemática numa lógica de património integrado, designadamente no Altar de Nossa Senhora do Parto, cujo retábulo em talha dourada e pintura decorativa do século XVIII se encontrava completamente coberto por espessas camadas de tintas esmaltadas e purpurinas prejudicando fortemente a obra de arte a vários níveis (artístico, histórico e técnico). Portanto, a intervenção visou a recuperação de todo o trabalho artístico original (folha de ouro e pinturas decorativas)”.
Igreja Matriz de Monforte foi sujeita a profundas transformações arquitetónicas


Relativamente às intervenções no Altar-Mor e nos Altares Laterais, Arco Cruzeiro e Arcos, Patrícia Cutileiro explicou que, “em finais do séc. XVIII a Igreja Matriz de Monforte foi sujeita a profundas transformações arquitetónicas, originando uma série de novos altares e arcos, Altar-Mor, Arco de Cruzeiro, Altar do Sagrado Coração, Altar do Senhor dos Passos, Arco do Cristo Crucificado e Altar de Nossa Senhora de Fátima. Estes novos elementos arquitetónicos foram decorados com pinturas murais realizadas a fresco/meio-fresco (pintura com pigmentos inorgânicos realizada sobre rebocos de cal frescos). Os trabalhos de cal resultam em revestimentos decorativos de perfeita articulação entre a cor, as formas e as texturas dos materiais que procuram imitar recompondo a linguagem arquitetónica na globalidade. Em suma, simular as texturas, a cor e a estereotomia de materiais como a escaiola e os marmoreados.
A imitação de materiais nobres com técnicas de fingimento foi muito utilizada pelos baixos custos de produção. A eficácia construtiva e o baixo custo de produção assegurados pelas tecnologias da cal aliados às múltiplas possibilidades decorativas garantem a continuidade plástica do gosto da época.


São revestimentos que fazem parte integrante dos espaços que os acolhem, em que não se pode desassociar os preceitos tecnológicos da sua execução do suporte arquitetónico”.
“Depois de executadas algumas sondagens, constatou-se que todos os altares e arcadas apresentavam este tipo de decoração mural, o qual importava preservar, conservar, restaurar e valorizar, restituindo a decoração barroca original aos altares desta igreja e a sua luminosidade natural”, concluiu.












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