ActualRegional
9 Julho, 2025

Rondão: “Mocinha Não pode voltar, nem como vereador” (…) “Não pode rir e falar às pessoas só para conquistar votos”

Rondão Almeida confronta Nuno Mocinha num discurso sem filtros: acusa-o de demagogia, má gestão, ausência de obra, nomeadamente nas freguesias, imitação do seu estilo político e promessas vazias em temas como habitação, saúde e impostos: "Eu recebo as pessoas, ele escondia-se (...) eu fiz, ele vendeu". "Rondão é Fixe, a Idade que se Lixe" é o lema da Campanha do candidato pelo MCP Elvas.

Rondão Almeida critica demagogia e promete verdade na política elvense

O Movimento Cívico por Elvas (MCP Elvas) reuniu esta terça-feira, 9 de julho, com militantes e apoiantes numa sessão de mobilização e reflexão sobre o atual estado da vida política local. 

Liderado por José Rondão Almeida, o Movimento prepara-se para disputar as próximas eleições autárquicas, com o próprio Rondão como candidato à presidência da Câmara Municipal de Elvas.

Durante a sessão, Rondão Almeida manifestou desilusão com os recentes desenvolvimentos políticos no concelho, apontando críticas diretas à candidatura do Partido Socialista:

 “Sou da opinião de que quem ganha e perde eleições é quem está no poder. Perde-se porque há descontentamento, um descontentamento generalizado da população. A oposição, neste caso, encontrou não uma porta, mas uma autoestrada aberta”, afirmou, reportando-se ao resultado das últimas eleições autárquicas no concelho e à derrota do seu opositor.

O candidato alertou ainda para os perigos do populismo e do crescimento dos partidos extremistas: 

“Todos estão muito preocupados com os resultados do Chega. Eu não. Os votos do Chega são votos de descontentamento, não são votos de projeto. Eles mexem em todas as feridas da sociedade”, declarou, defendendo que a solução passa por “evitar o descontentamento” e criar políticas locais sólidas que evitem o avanço de discursos sem contraditório.

Rondão Almeida acusou ainda o Partido Socialista de “demagogia”, especialmente na recente apresentação da sua lista às próximas eleições. 

Em causa, os 200 postos de trabalho anunciados pelo candidato socialista: “Desta vez, não foram os chineses”, ironizou, recordando os oito anos de governação socialista e questionando: “O que é que ele fez em oito anos para criar novos empregos e desenvolver a zona industrial de Elvas?”

Em contraste, Rondão Almeida apresentou o seu balanço enquanto presidente: “Em quatro anos, comprámos 150 mil metros quadrados por um milhão de euros. Os terrenos estão a ser limpos e temos um contrato assinado com o ex-ministro da Coesão, através do CCDR, no valor de mais de cinco milhões para infraestruturas. O terreno agora é nosso.”

A concluir, defendeu uma abordagem responsável e realista à economia local: “Os empresários é que escolhem se querem ou não instalar-se aqui. Prometer 200 postos de trabalho sem condições para isso é pura demagogia. É preciso evitar promessas vãs”.

O Movimento Cívico por Elvas promete continuar a apresentar propostas “realistas, responsáveis e com verdade”, num caminho que considera essencial para manter a confiança dos elvenses.

Habitação: “O que é que ele fez em oito anos? Não há um prédio construído, mas há vendido”

Na mesma sessão, Rondão Almeida voltou a dirigir duras críticas ao Partido Socialista e ao seu candidato, Nuno Mocinha, quando este abordou o tema da habitação, que classificou como “o mais escandaloso” da atual realidade municipal.

“O homem que foi oito anos presidente da Câmara Municipal de Elvas… O que é que ele fez em oito anos? Não há um prédio, não há um fogo construído. Vendeu-se um prédio na Rua do Padrão por 10 mil euros, onde podiam ter sido feitos dois ou três apartamentos”, apontou o candidato do Movimento Cívico por Elvas.

Em contraste, destacou os números da sua própria gestão: “Desde 2021, estamos a intervir em 300 fogos ( 230 na habitação social e mais 70 para rendimento acessível). A obra está à vista de todos.” E defendeu um novo paradigma de política habitacional: “Já chega de renda social. Agora é tempo de olhar para as pessoas que trabalham, que querem pagar uma renda e não a encontram. É a altura de olhar para a classe média e para os jovens casais. O futuro passa por continuar esta obra. Não é suficiente, temos de fazer mais.”

Saúde: “Onde estão os 20 milhões para o hospital de Elvas?”

Outro tema forte abordado foi a saúde, com Rondão Almeida a dirigir críticas a Nuno Mocinha e ao ex-deputado Ricardo Pinheiro, eleito pelo círculo de Portalegre:

 “Este jovem aprendiz da política diz que resolve o problema da saúde com diplomacia. Mas eu pergunto: onde estão os 20 milhões de euros anunciados para a requalificação do Hospital de Elvas? Onde é que foram gastos? Em lado nenhum, porque não houve requalificação nenhuma, pelo contrário.”

Rondão respondeu com exemplos concretos da sua gestão: “Neste mandato fizemos a clínica de alta resolução, que esteve parada cerca de oito e foi instalada há cerca de dois anos. O que está planeado, e num diálogo permanente e responsável com a atual administração da Unidade de Saúde, é em conjunto, tentarmos “lavar a cara” do Hospital, tendo em atenção dos graves problemas que se colocam em alguns serviços. Estamos a pensar seriamente que a Unidade de Cuidados Continuados de média duração possa vir a ser um elemento a ser contruído em Elvas para evitar que o utentes saiam do Hospital de agudos e tenham de ir para Arronches ou Vila Viçosa a recuperar, porque as camas que têm na Cruz Vermelha são poucas e não dão resposta. 

Loteamentos nas freguesias: “Nem uma pedra levantou”

A política de desenvolvimento rural também mereceu destaque, com críticas ao que Rondão considera promessas vazias por parte do PS. 

Referindo-se ao anúncio de construção de loteamentos em todas as aldeias do concelho por parte de Nuno Mocinha, o candidato independente foi claro: “Este rapaz não levantou uma pedra em nenhuma freguesia. Nem sequer aparecia junto das pessoas.”

Rondão evocou ainda um episódio durante a pandemia: “Na altura do Covid-19, na Terrugem, a população aflita pediu-lhe ajuda. E ele? Nem apareceu, virou as costas.”

Em contraponto, o líder do Movimento Cívico por Elvas afirmou ter projetos ativos em três freguesias: “Temos loteamentos a decorrer em São Vicente, já inaugurado, e também em São Vicente e Ventosa e em Terrugem. Ele anda a copiar o nosso trabalho e os nossos projetos para as aldeias.”

Segundo Rondão Almeida, cada freguesia tem um investimento médio de dois milhões de euros, com obras em todas, “à exceção de Barbacena”.

“Quem meteu medo foi ele”: Rondão Almeida acusa PS de perseguições e intimidação a funcionários

Num momento particularmente acalorado da sua intervenção, Rondão Almeida respondeu diretamente às declarações do candidato socialista, Nuno Mocinha, que afirmou recentemente que “as pessoas têm medo” em Elvas.

“Eu próprio quase que acreditei”, ironizou Rondão Almeida. “É um artista de teatro. Convence-se do que diz, mas não é responsável pelo que diz.”

O líder do Movimento Cívico por Elvas acusou Nuno Mocinha de ter instaurado um ambiente de vigilância e intimidação durante os seus oito anos na presidência da Câmara Municipal:

 “Este cavalheiro criou um código de conduta que nem Salazar faria melhor. Transformou os funcionários da Câmara na PIDE. Qualquer funcionário que visse um comentário desfavorável à Câmara Municipal nas redes sociais tinha de chamar o chefe, mostrar o conteúdo da mensagem e deixar uma resposta a quem de direito. E como pode ele agora dizer que sou eu quem mete medo às pessoas?”, questionou.

Rondão recordou episódios marcantes do passado para sustentar as suas críticas, como o caso da funcionária Elsa Grilo, que, segundo afirmou, quase foi transferida compulsivamente para o Forte de Santa Luzia numa fase avançada da sua doença oncológica e em estado de debilidade física. “Só não foi porque Francisco Vieira, do sindicato, interveio a tempo”, afirmou.

Também recordou o caso de Luísa Garrido, que, tendo trabalhado vinte anos na autarquia e sido militante do Partido Socialista, acabou no desemprego. “E este homem teve o descaramento de reunir com o Movimento Associativo de Elvas, no Cine S. Mateus, e dizer que, se convidassem Rondão, o presidente não aparecia nas iniciativas.”, denunciou.

“Não pode voltar, nem como vereador”

Rondão Almeida criticou ainda o que descreveu como tentativas de o afastar simbolicamente durante o mandato socialista: 

“A sede que me arranjaram como gabinete foi a antiga sede da EDP.” 

E reforçou a sua posição de que Nuno Mocinha não deve regressar à política local:

 “Esse homem fala em ser humilde… A população não pode permitir que aquele homem volte, nem que seja para simples vereador. Não deve representar nada nem ninguém em qualquer órgão público. Nunca devemos esquecer as nossas origens. Seja humilde”, sugeriu.

“É demagogia barata”: Rondão Almeida acusa Nuno Mocinha de iludir eleitores com promessas fiscais

A política fiscal local foi outro dos temas em destaque na intervenção de Rondão Almeida, que considerou “um disparate” a promessa de Nuno Mocinha de baixar os impostos. 

O líder do Movimento Cívico por Elvas defendeu-se com números e acusa o candidato socialista de deturpar os dados e omitir responsabilidades passadas.

“Rondão Almeida e a sua equipa devolviam aos contribuintes, dos 5% do IRS a que as Câmaras têm direito, dois pontos percentuais. A primeira coisa que ele fez foi retirar esses dois pontos percentuais e arrecadar os 5% para o orçamento da câmara. Como é que pode agora vir dizer que vai diminuir? “

“Eu já devolvi um por cento e propomos, no futuro, voltar ao antigamente, ou seja, voltar a devolver dois pontos percentuais. Mas isto tem lógica. Eu estou a fazer e a prometer continuar, não estou a prometer para amanhã o que não fiz hoje. Isto é a voz da humildade e da pessoa que é sincera e que não promete o que não pode cumprir”. 

Quanto ao IMI, Rondão Almeida afirmou nunca ter usado a taxa máxima enquanto esteve na presidência da Câmara. 

“A taxa mínima é de 0,3% e a máxima é de 0,6%. Elvas tem funcionado com 0,4%. Este ano já conseguimos reduzir para 0,350%. Se todos estiverem de acordo o meu objetivo é cobrar a taxa mínima imposta pela lei, descendo até aos 0,3%. E por que é faço isso? porque já o comecei a fazer e porque é possível continuar essa descida, porque fazemos orçamentos com base em estimativas realistas que nos permitem baixar a receita”, assegurou. “É assim que se governa, com rigor e não com promessas que não se podem cumprir.” 

Rondão considera que, “Estes discursos acontecem quando a oposição está fragilizada e pensa comprar tudo e todos oferecendo tudo aquilo que não pode dar”.

“Na água, ele criou o problema alterando o contrato inicial quando se apanhou no poder”

No que diz respeito ao custo da fatura da água, Rondão Almeida foi taxativo: “Ele misturou tudo: água, resíduos sólidos e tratamento de águas residuais. E depois vem com a conversa de que basta fechar a tampa do contentor quando chove, como se isso fosse baixar a fatura. É mesmo para rir”. Porque é que ele não diz que a única forma da água ser mais barata foi ele ter permitido a alteração do contrato inicial?, interroga.

Para Rondão, há uma verdade que precisa de ser dita aos elvenses: “O contrato inicial da água foi alterado por ele enquanto foi presidente. Ele é que permitiu a mudança no contrato inicial feito no meu tempo, e que na presidência dele quando se apanhou no poder, alterou o contrato inicial e aí é que se começou a trabalhar nos aumentos de água que estamos hoje a pagar”.

Rondão questionasse a si próprio: “E o que é eu vou fazer? não vou baixar. Não há condições para isso”.

“Lisboa não é solução, é fuga à responsabilidade”

Rondão Almeida criticou ainda o que considera ser a “tentativa de fuga” de Nuno Mocinha das suas responsabilidades: “Isto é uma tentativa de ter bons relacionamentos em Lisboa para subir na vida política e pessoal”, disparou.

Deu como exemplo dois projetos que, no seu entender, deixaram prejuízo para Elvas: “A escola de Santa Luzia foi um deles. Consegue que lhe entreguem a obra da escola de Santa Luzia e o homem vem de lá com “um brinquedo nos braços”, todo satisfeito. Mas só tinha 60% do financiamento, tinha de arranjar os restantes 40%. E depois andou a mendigar durante todo o exercício da obra para os arranjar. Foi-se embora e deixou nas minhas costas 800 mil euros. O empreiteiro meteu a câmara em tribunal e eu não lhe quero pagar, porque acho que tenho razão para não pagar. Que belo negócio foi fazer a Lisboa: gastar o dinheiro dos elvenses e deixar em tribunal um processo na ordem dos 800 mil euros pela escola”. 

Sobre a residência de estudantes, foi ainda mais direto: “Convenceu o Estado a pagar 60%, mas arranjaram-me um problema com os 40% restantes (…) Em Portalegre, a colega  nem saiu da cadeira e tem os alojamentos todos feitos sem gastar um euro. Ele, arranjou-me um “calo” que eu é que tive de pagar e se não fosse a boa vontade dos fundos comunitários eu teria ficado “entalado” mais uma vez. Bom negócio que o rapaz fez com as residenciais. Em todo o país são feitas pelo poder central. São estes os milagres de Nuno Mocinha”. 

“Mas o que é que ele pretendia com isto ?”, questionou Rondão, adiantando logo de seguida, “Queria constar na lista de deputados? olha, nunca lá chegou. É isso que ganha”. 

A concluir, Rondão Almeida deixou uma crítica à forma como Nuno Mocinha conduzia a sua relação com investidores: “Eu falo com empresários em Elvas, no meu gabinete. Não é em restaurantes e não vou a Lisboa para falar com empresários nenhuns (…) as empresas que se sediaram recentemente em Elvas (como MAC, ou Fertiprado, por exemplo) é que vieram ter comigo e contaram com a disponibilidade da câmara, como agente facilitador. Agilizamos os processos”, explicou. 

“Somos diferentes, e ainda bem”: Rondão Almeida responde a comparações com Nuno Mocinha

Rondão Almeida não deixou passar em branco uma afirmação feita por Nuno Mocinha durante a apresentação da sua equipa às próximas eleições autárquicas, onde este declarou: “Eu não sou como o outro candidato”, numa clara alusão a Rondão Almeida.

Para Rondão esta foi, curiosamente, “a única verdade” dita por Mocinha nessa noite.

“É verdade, nós não somos iguais. E eu faço questão de explicar porquê”, começou por afirmar:

 “Eu recebo pessoas até durante o almoço. Estou 99,8% do tempo na Câmara Municipal, com a porta aberta; o outro entrava pelas traseiras da câmara para não ver ninguém; tenho um lugar de estacionamento à porta da câmara e não um lugar reservado à porta do restaurante Adega. Há uma grande diferença. Quem gastou mais de 5/6 mil euros por ano em refeições pessoais, comparativamente a 1 presidente, que em 4 anos, foi meia dúzia de vezes jantar com entidades oficiais, realmente há uma grande diferença”. 

Rondão reforçou o contraste entre os estilos de governação: “Eu e os meus colegas atendemos entre 20 a 30 pessoas por dia, quer seja presencialmente, quer seja por telefone, ou outros meios. Ele nem presencialmente nem por telemóvel atendia ninguém. E ainda diz que somos parecidos? Somos, de facto, muito diferentes.”

A crítica estendeu-se também à falta de atenção dada ao mundo rural durante os mandatos de Mocinha: “Em oito anos esqueceu-se das freguesias, não fez obra e nem lá ia. Nós não só fazemos obra como estamos presentes.”

Finalmente, Rondão aludiu ao considera ser “mais do que verdade”; 

“Um homem que quer imitar outro ou faz uma imitação perfeita (o que não acho que seja inteligente o suficiente para o fazer) ou então sai asneira. Ou seja, quer se rir para toda a gente. Não, tem de se rir com verdade, não é só rir nas eleições e falar às pessoas para caçar os votos. Está no ADN de cada um. E, mais uma vez, somos realmente diferentes”. 

“O mais grave é que somos diferentes porque um respeita os impostos dos contribuintes e sabe-o gastar e o outro, que é economista, não sabe. O que aconteceu é que gastou o saldo que deixei de 12 milhões e mais os 3,5 milhões de euros da venda da herdade D. João, deixando 8 milhões de encargos assumidos. Há uma grande diferença”. 

“Rondão é fixe, é a idade que se lixe”

Às críticas que tem ouvido sobre a sua idade e condição física, Rondão Almeida apresentou com orgulho o seu lema de campanha: “Rondão é fixe, é a idade que se lixe.” Acrescentou: “Falam da minha limitação física e da idade, mas eu só desejo que cheguem lá como eu, mas com a consciência descansada.”

About this author

0 comments

There are no comments for this post yet.

Be the first to comment. Click here.