A população de Santa Eulália, no concelho de Elvas, manifestou-se contra a eventual construção de uma variante à freguesia, numa sessão de esclarecimento promovida pela Câmara Municipal, que decorreu este sábado no Largo do Repuxo.
A proposta, que tem vindo a ser debatida há vários anos, surge como resposta aos constrangimentos na circulação rodoviária, sobretudo na entrada e saída da localidade, marcada pela existência de um túnel ferroviário que condiciona a passagem de veículos, em particular os pesados. Ao longo do tempo, têm sido registados vários incidentes com camiões que ficam retidos na estrutura.


No entanto, no final da sessão, a população presente rejeitou de forma unânime a construção da variante, posição que foi ao encontro da defendida pelo presidente da Câmara Municipal de Elvas, José Rondão Almeida.


“Correu como eu esperava. A população de Santa Eulália ainda continua a dar ouvidos a Rondão Almeida”, afirmou o autarca, acrescentando que as variantes “são muito boas para determinados fins, mas são mortes muito grandes para localidades pequeninas”, ao desviarem o tráfego e reduzirem a dinâmica local.
O presidente defendeu antes soluções alternativas, nomeadamente a intervenção na atual estrutura do túnel, considerando que existem hoje soluções de engenharia capazes de resolver o problema de forma rápida. “Bastava aumentar aquela estrutura. No espaço de um mês resolvia-se o problema”, afirmou, apontando responsabilidades à Infraestruturas de Portugal pela falta de intervenção ao longo dos anos.
A sessão ficou também marcada por momentos de tensão política, com críticas dirigidas ao partido Chega, que apresentou um projeto de resolução sobre esta matéria. Rondão Almeida acusou o partido de não ter auscultado a população e lamentou a tentativa de transformar a sessão “num comício político”, sublinhando que o objetivo era ouvir os cidadãos e não promover confrontos partidários.


Presente na sessão, o deputado João Aleixo, eleito pelo círculo eleitoral de Portalegre, defendeu a iniciativa do seu partido, sublinhando que o objetivo foi colocar o tema na agenda. “Se não há problema, por que é que se discute isto há mais de 20 anos?”, questionou, considerando que a discussão pública demonstra a necessidade de encontrar uma solução.
O deputado afirmou ainda que o papel dos eleitos passa por levantar questões e promover o debate, cabendo ao Governo a sua resolução. “O que fiz foi trazer o assunto para discussão e isso funcionou”, disse.
João Aleixo criticou também o que considera serem “jogos partidários” na freguesia de Santa Eulália, apontando uma alegada falta de respeito pela vontade expressa nas urnas e classificando a situação como “uma vergonha”.
O deputado criticou ainda o que considera ser uma instrumentalização da população no atual contexto político local, associando a realização desta sessão a uma “hipotética eleição que ainda não está marcada”. Na sua perspetiva, a discussão em torno da variante acabou por ser influenciada por dinâmicas partidárias que nada têm a ver com a resolução concreta do problema.
João Aleixo apontou também críticas ao funcionamento político na freguesia de Santa Eulália, referindo a existência de entendimentos entre forças políticas que, no seu entender, não respeitam a vontade expressa pelos eleitores (entenda-se PS e MCPE). Considerou ainda inadequado que o presidente da junta de freguesia não tenha sido convidado para estar presente numa sessão dedicada a um tema diretamente relacionado com o território que representa, assim como ele próprio, o deputado que apresentou o projeto.












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