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31 Janeiro, 2026

Cidade do Vinho 2025 encerra com território unido e identidade reforçada

A gala de encerramento da Cidade do Vinho 2025 – Serra de Ossa, realizada este sábado em Estremoz, marcou o fim de um projeto conjunto entre cinco municípios que reforçou a notoriedade do território, afirmou o vinho como eixo central da identidade cultural e económica da região e deixou um compromisso claro de continuidade no trabalho em rede.

A iniciativa Cidade do Vinho 2025 – Serra de Ossa encerrou este sábado com uma gala realizada na cidade de Estremoz, assinalando o culminar de um projeto conjunto que envolveu os municípios de Borba, Alandroal, Estremoz, Redondo e Vila Viçosa e que é já considerado um sucesso e uma referência para o território.

Ao longo de um ano, a Cidade do Vinho 2025 promoveu a valorização da identidade vitivinícola da região, destacando a história comum, as raízes culturais, os hábitos e os costumes associados ao vinho. O programa integrou mais de 50 iniciativas de âmbito local, nacional e internacional, que contribuíram para reforçar a visibilidade do território e atrair mais visitantes, com impacto direto no enoturismo e no comércio local.

José Daniel Sádio

Na sessão de encerramento, o presidente da Câmara Municipal de Estremoz, José Daniel Sádio, afirmou sentir-se “um anfitrião orgulhoso de todo o caminho percorrido”, enquanto capital dos vinhos da Serra de Ossa, sublinhando a importância e relevância do trabalho desenvolvido. O autarca destacou o saldo muito positivo do projeto, que reforçou a coesão territorial e demonstrou o valor do trabalho em rede, afirmando uma identidade conjunta e, simultaneamente, a identidade individual de cada concelho participante.

Sádio reconheceu igualmente, que o projeto permitiu “reforçar o setor do enoturismo e comércio local ao longo de todo o ano”.

Também Luís Encarnação, presidente do Conselho Diretivo da Associação de Municípios Portugueses do Vinho (AMPV), felicitou os cinco municípios envolvidos, sublinhando que o objetivo do projeto passou por promover os territórios vinheteiros, valorizar os produtores, atrair visitantes e desenvolver o enoturismo. Reconhecendo as dificuldades atuais do setor, nomeadamente a diminuição do consumo de vinho e os desafios no escoamento da produção, considerou que a Cidade do Vinho foi igualmente uma resposta estratégica a esse contexto, através de um trabalho “extraordinário” em torno dos vinhos da Serra de Ossa.

Uma análise detalhada do setor foi apresentada por Luísa Amorim, diretora do laboratório da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), que destacou a dimensão e a relevância do Alentejo no panorama nacional: a região conta com 262 vitivinicultores, cerca de 1.200 marcas, representa 12% da área de vinha nacional e 14% do vinho produzido em Portugal, sendo ainda líder no vinho certificado, com quase 100% da produção regional certificada. Sublinhou igualmente o papel das adegas como destinos de excelência no enoturismo.

Por sua vez, o presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo, José Santos, enalteceu o projeto Cidade do Vinho 2025, considerando que amplificou a diversidade e a riqueza dos cinco municípios envolvidos e funcionou como um verdadeiro radar para o público espanhol. Segundo o responsável, 2025 foi o melhor ano turístico de sempre no Alentejo, com o enoturismo a assumir-se como um grande agregador da hospitalidade e “a aliança mais virtuosa” da região. No decorrer da gala, foi ainda feita a passagem de testemunho, com a entrega da bandeira da Cidade Europeia do Vinho ao Baixo Alentejo, sendo Castro Verde a cidade anfitriã em 2026.

João Grilo

Em representação de Alandroal, o presidente da Câmara Municipal, João Grilo, sublinhou a importância estratégica do projeto para o concelho e para o conjunto dos municípios, recordando que Alandroal é o quinto maior produtor desta agregação. Citando Alberto Caeiro, afirmou que “somos do tamanho do que vemos”, defendendo que o setor vitivinícola é um dos que mais pode crescer no concelho. Destacou ainda os projetos de enoturismo em curso, onde hotelaria e viticultura nascem já de forma integrada, reforçando a vontade de continuar a trabalhar em conjunto na projeção futura da Serra de Ossa.

“Alandroal sente-se confortável em trabalhar em conjunto na projeção da Serra de Ossa; com os municípios do Grande Lago de Alqueva; com os municípios de fronteira. No fundo, quem olhasse para nós podia ver um pequeno concelho que estava ali no meio do nada e, na realidade, somos um pequeno concelho que está no meio de tudo”, referiu.

Pedro Esteves

Já o presidente da Câmara Municipal de Borba, Pedro Esteves, considerou-se um autarca honrado por integrar um território vitivinícola de excelência, sublinhando que, para Borba, o vinho é património, economia, paisagem e cultura. “Cada garrafa de vinho de Borba transporta uma identidade e é uma embaixadora do concelho pelo mundo”, afirmou, acrescentando que esta narrativa comum não representa um ponto de chegada, mas sim um ponto de partida para a afirmação contínua do território.

A gala de encerramento contou ainda com atuações musicais, a par dos discursos institucionais, assinalando o fim formal da iniciativa Serra de Ossa – Cidade do Vinho 2025, um projeto resultante de uma parceria entre municípios, instituições e empresas, cujo legado se projeta já no futuro do enoturismo e da cooperação territorial no Alentejo.

A Cidade do Vinho 2025 encerra formalmente, mas deixa um legado sólido de cooperação, visibilidade e afirmação territorial. Todos os intervenientes assumiram o compromisso de dar continuidade a esta lógica de agregação, potenciando uma identidade comum que transcende o setor vitivinícola e se estende a outras áreas estratégicas do desenvolvimento regional, reforçando a Serra de Ossa como território de excelência, coeso e competitivo.

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