Luís BonixeOpinião
10 Abril, 2017

A Renascença fez 80 anos, mas é a mais jovem de todas

Há sempre umas caras de espanto quando anuncio que a aula daquele dia será sobre rádio e depois começo a falar da RR V+. A RR V+ é uma espécie de webtv. Feita por jornalistas que são da rádio. Ou eram, pelo menos, alguns deles. Mais espanto ainda quando se refere que há telejornais das televisões portuguesas que utilizaram vídeos da Renascença.

Vídeos da rádio na TV?!!!

Há mais motivos para espanto quando se fala do Página 1, um jornal em PDF. Um projeto inédito produzido por jornalistas de uma rádio. Sem som, mas é de uma rádio.

Há dez anos, quando andava de redação em redação. De rádio em rádio no âmbito do trabalho de campo para o meu doutoramento, o espanto foi meu. Na Renascença já me apresentavam uma equipa de 8/9 jornalistas só para o multimédia, distribuídos por Lisboa e Porto. E participavam nas reuniões de editores. Coisa que ainda hoje não acontece em todas as redações. Noutros sítios, cada um puxava para seu lado. Na Renascença integrava-se: na redação e nos conteúdos.

A Renascença é o caso português entre os media que melhor soube incorporar as rotinas de uma redação multimédia no seu quotidiano. Não apenas em relação a projetos especiais, porque isso, uns melhores, outros menos bem, vão fazendo. Mas, no dia a dia. Soube perceber que a rádio já não é apenas uma plataforma sonora, mas que se multiplica por outros espaços e, por isso, é preciso estar neles.

Há na Renascença um grupo de profissionais que tem produzido nos últimos anos fantásticas reportagens multimédia. Prova disso, é o facto de ter vencido por vários anos o Prémio de Ciberjornalismo em várias categorias e também o de melhor site português.

A Rádio Renascença é uma parte muito importante da história da rádio, pelas vozes que nos deu. Pela “Invasão dos Marcianos” (a nossa Guerra dos Mundos, de Orson Wells) pelo “caso Renascença” no pós-25 de abril, pela “Bola Branca” e por tantos outros motivos aos quais hoje se junta uma aposta muito séria no futuro que é já hoje o presente.

Mesmo que não se goste de tudo. Mesmo que as manhãs, hoje, estejam muito afastadas daquilo que eu gosto numa rádio com informação, ou que gostasse de mais presença nas redes sociais no plano informativo. Mesmo assim, quando completa oito décadas de existência, a Renascença é sem dúvida a mais jovem de todas.

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