A noite eleitoral em Elvas teve o nome de sempre no topo: Rondão Almeida voltou a vencer e assegurou a reeleição como Presidente da Câmara Municipal de Elvas, pelo Movimento Cívico por Elvas (MCPE), com 32,98% dos votos, garantindo dois mandatos.
Seguiram-se o Chega, segunda força mais votada, com 25,87%, o Partido Socialista (PS), com 23,71%, e a Aliança Democrática (PSD/CDS-PP), com 11,76%, que elegeu um vereador. O novo executivo municipal nasce, assim, com sete eleitos, distribuídos de forma equilibrada: 2-2-2-1 – um cenário que obriga ao diálogo e à construção de consensos.
“Sinto-me verdadeiramente satisfeito por ter esta oportunidade com 82 anos”


Logo após a confirmação dos resultados, Rondão Almeida celebrou pela cidade e pelas freguesias, numa caravana ruidosa que percorreu as ruas de Elvas. Sentado num descapotável, acenou aos apoiantes que o saudaram com aplausos e palavras de incentivo.
Visivelmente emocionado, o autarca sublinhou a dimensão pessoal e simbólica da vitória:
“Sinto-me verdadeiramente satisfeito por ter a oportunidade de, com 82 anos de idade, ser o autarca com mais idade neste país. E também o autarca com mais anos de funções, porque não é só desde 1994 que exerço este papel – tive também dois mandatos na Câmara Municipal de Évora.”
Com um percurso político ímpar no panorama autárquico nacional, Rondão Almeida afirmou sentir “uma gratidão muito grande” pelo voto de confiança dos elvenses, destacando que a campanha foi intensa e marcada por incerteza, mas que o resultado confirmou a vontade de continuidade:
“A maior parte das pessoas deduziu que, com 82 anos, haveria que dar oportunidade a alguém mais novo, mas a grande maioria acabou por dizer não. Queremos novamente Rondão Almeida à frente da Câmara Municipal de Elvas, porque será ele o único capaz de gerar um consenso e garantir estabilidade política por mais quatro anos.”
“Despir as camisolas e trabalhar por Elvas”
Confrontado com o novo cenário político de sete eleitos distribuídos por quatro forças partidárias, Rondão Almeida reconheceu que o contexto exige habilidade negocial e sentido de responsabilidade- mas mostrou-se confiante.
“Nesta vez, o que irei fazer é dialogar também com todos, no sentido de aferir qual é a sensibilidade que têm para despir as camisolas e começar a trabalhar por Elvas. Não tenho qualquer problema em acreditar que Elvas vai ter uma gestão económica equilibrada e que isso garantirá estabilidade política nos próximos quatro anos.”
O autarca reafirmou a intenção de abrir conversações com todos os vereadores eleitos, independentemente da cor partidária, deixando claro que a participação não depende da atribuição de pelouros:
“Vai ser fácil. Compreendemos que, tendo ou não pelouro, quem tenha disponibilidade para trabalhar, trabalhará. Não é preciso ter um pelouro para se poder contribuir. As ideias aproveitam-se de cada programa eleitoral, desde que sejam exequíveis dentro dos recursos financeiros existentes. Sempre trabalhei assim: nunca impus as minhas ideias e sempre valorizei as dos outros.”
“Há 15 a 20 milhões de euros em projetos já em execução”
Rondão Almeida insistiu na importância de responsabilidade financeira e continuidade dos projetos estruturantes.
“Neste momento temos na ordem dos 15 a 20 milhões de euros já em trabalho. Por isso, tem de haver muito tacto. Ninguém pode vir para aqui oferecer aquilo que não tem capacidade financeira para executar.”
O presidente reeleito acredita que o próximo mandato será de “grande responsabilidade”, com vários investimentos em curso e outros em fase de concretização, salientando que a prioridade é garantir a execução plena dos fundos e obras já em andamento.
“A esquerda e o centro continuam a ser a maioria em Elvas”
Num gesto de respeito institucional, Rondão Almeida felicitou os restantes candidatos e forças políticas, sublinhando a importância de uma leitura equilibrada dos resultados:
“Nuno Mocinha elegeu dois vereadores, e tenho de o felicitar por isso. Se juntarmos os dois do PS aos dois do Movimento, são quatro, o que mostra que a esquerda e o centro continuam a ser a maioria no concelho de Elvas.”
Para o autarca, a principal conclusão do sufrágio é clara: os elvenses escolheram continuidade e estabilidade.
“Acabaram de eleger não o presidente do Movimento, mas o presidente de todos os elvenses.”
“É tempo de diálogo e respeito”
O veterano autarca termina com uma nota de serenidade política, prometendo um mandato assente no diálogo, no respeito institucional e no foco na cidade:
“A minha tendência é de diálogo com as pessoas de forma respeitosa, e de todos vestirem a camisola de Elvas. Só assim conseguimos estabilidade e progresso.”














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