Pedro, com 46 anos, é um dos muitos portugueses que vivem com esclerose múltipla.Â
Trata-se de uma doença degenerativa que afeta o sistema nervoso central, comprometendo a mobilidade e a independência.Â
Antes de 2019, a vida de Pedro era marcada por severas limitações.
A viver com o pai, a sua rotina era extenuante, dividida entre a cama e a cadeira de rodas.
A falta de acessos nas ruas impedia-o de sair de casa e a impossibilidade de trabalhar agravava o seu isolamento. Sem ninguém para o ajudar na mobilidade, exceto o pai, Pedro vivia uma realidade solitária e restritiva.
Tudo mudou em 2019, quando Pedro entrou no CAVI (Centro de Apoio à Vida Independente) que lhe forneceu um assistente pessoal, que viria a tornar-se num elemento determinante na sua vida.
O assistente passou a ajudá-lo nas tarefas diárias de higiene pessoal, alimentação e mobilidade, proporcionando-lhe uma nova autonomia.
A transformação na vida de Pedro foi profunda, com a ajuda do assistente, pois ganhou a liberdade de sair à rua sem medos, desfrutando de uma vida social ativa que outrora não tinha.
Além disso, Pedro encontrou um novo propósito ao conseguir um emprego no Centro Interpretativo do Boneco de Estremoz, um local que preserva e divulga a tradição dos bonecos de barro da região, classificados como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO.
Durante a nossa entrevista nas instalações da APPACDM de Évora, a alegria de Pedro era contagiante.


Expressou por diversas vezes a sua gratidão pelo programa MAVI , afirmando que já não se vê a viver sem o seu assistente pessoal:
“Este programa deu-me uma nova vida. Agora, posso sair, trabalhar e socializar. Sinto-me mais independente e feliz”, partilhou.
A felicidade de Pedro era visÃvel, refletindo-se no brilho dos olhos e na face sempre sorridente que influenciavam qualquer pessoa que estivesse naquela sala.
Pedro falou com emoção sobre os tempos difÃceis que passou vivendo com o pai, preso pelas suas limitações fÃsicas: “Era difÃcil, muito difÃcil. Não podia sair, não podia fazer quase nada sozinho. A minha vida era uma luta constante”, confessou.
A empatia que senti pelo Pedro foi imediata. A sua história de resiliência e combatividade fez-me lembrar a minha própria história de vida. Reconheci-lhe no olhar a mesma determinação que eu tinha, mas ao contrário de mim ele era feliz e tinha orgulho no caminho percorrido.
Pedro olha para o futuro como um sinal de esperança. No fundo do túnel existe uma luz clara que lhe permite ter força para enfrentar qualquer obstáculo que possa surgir, pois sabe que não está sozinho e que têm toda uma rede de apoio.
A vida de Pedro é um exemplo de determinação, inspiração e força de vontade, que apesar das circunstâncias de vida, nunca deixou de batalhar pela vida que queria. Hoje é uma pessoa realizada, feliz e grata por aquilo que têm.
José Martins













There are no comments for this post yet.
Be the first to comment. Click here.