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1 Julho, 2024

Elvas: Produção de Cannabis emprega centenas de profissionais formados na Escola Superior de Elvas. Oferta não chega para a procura

O Instituto Politécnico de Portalegre (IPP), através da Escola Superior de Biociências de Elvas, tem vindo a ser muito procurado para disponibilizar profissionais com conhecimentos adquiridos na área da agricultura sustentável para exercerem funções nas empresas que produzem cannabis para fins medicinais.

Recorde-se que Campo Maior, e mais recentemente Elvas, acolheram empresas que se dedicam a este trabalho, que empregam centenas de profissionais, com o objetivo de fornecerem óleo de cannabis para a Europa.

Tratam-se de explorações com vários hectares de plantações, devidamente acompanhadas e monitorizadas. E é aqui que entram os jovens formados na Escola Superior de Biociências de Elvas.

“Os nossos alunos encontram aqui um alto índice de empregabilidade neste domínio cientifico com um potencial de crescimento muito significativo”

Luís Loures

“Todos os dias, ou semanalmente, somos contatados a solicitarem licenciados. Os nossos alunos encontram aqui um alto índice de empregabilidade neste domínio cientifico com um potencial de crescimento muito significativo”, refere Luís Loures, Presidente do IPP.

O próprio Instituto recebeu uma nova proposta de formação direcionada para técnicos superiores na área abrangida pela cannabis para fins medicinais.

O mesmo responsável esclareceu que “esta área necessita de uma certificação específica que nós (IPP) também fazemos. Trata-se de uma produção de elevado valor acrescentado com um controlo tecnológico muito significativo e precisa de profissionais altamente qualificados”.

Luís Loures sublinhou que este setor de atividade “está em franco crescimento” na região e o IPP tem de “responder às solicitações do tecido empresarial, até porque também sabemos que há novas empresas a quererem fixar-se na região”, anunciou.

“Dezenas e dezenas de alunos formados na escola superior da cidade vão trabalhar para esta indústria”

Rondão Almeida

Rondão Almeida, Presidente da Câmara Municipal de Elvas, atesta que, no concelho de Elvas, a empresa que se dedica à produção de cannabis para fins medicinais “recebe dezenas e dezenas de alunos formados na escola superior da cidade”.

Para o autarca é preocupante que “em cada 100 alunos formados na escola superior, apenas 1.4% ficam a exercer na região. Faltam projetos estruturantes que deviam estar aqui e não estão. A culpa não é dos autarcas. O problema são as vozes fracas que o Alto Alentejo tem na Assembleia da República, porque não vejo nenhum projeto estruturante que se alimente dos licenciados (…) o governo é que tem de fazer essa descentralização do poder, colocar delegações regionais e secretarias de estado no interior do país. Deem o exemplo”, desafiou Rondão Almeida.

Para o Presidente da Câmara de Elvas, e refletindo o espelho na sua própria experiência no concelho que lidera, Rondão constata que “os alentejanos perdem demasiado tempo a exigir ao pequenino autarca que têm no seu concelho e esquecem-se que o elefante grande está em Lisboa”.

O edil, rematou, exemplificando: “Vejam o exemplo de Espanha. Em 70 anos, as medidas governativas de Madrid transformaram uma cidade de 18 mil habitantes em cerca de 200 mil (referindo-se a Badajoz). E nós ? Os projetos estruturantes são todos antes do 25 de Abril: A Estação Nacional de Melhoramento de Plantas (1942), a Barragem (1962)”, enumerou.

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