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Luís BonixeOpinião
13 Fevereiro, 2017

A verdade é que a rádio é muito chata!

Hoje assinala-se o Dia Mundial da Rádio.

No relatório “State of News” de 2016 do Pew Research Center, é dito que o consumo de rádio nos Estados Unidos continua a aumentar. Rádio de notícias, de música, de talk shows. E é dito também, que a isso muito se deve a tecnologia que tem permitido a escuta de rádio noutras plataformas.

Em 2014, o relatório da Netscope veio dizer em relação a Portugal que o consumo de rádio se mantém acima dos 80% e que, cerca de meio milhão de pessoas teve contacto diário, no mínimo 5 minutos com programação radiofónica.

Mais distante, mas igualmente interessante, a Marktest mediu as audiências de rádio em Portugal durante uma década e concluiu que entre 2000 e 2009, a rádio não perdeu ouvintes. Verifica-se, aliás, que até houve uma muito ligeira subida da Audiência Acumulada de Véspera, embora com muitas oscilações pelo meio.

Na verdade, a rádio é muito chata: Resiste e resiste!

São números que deveriam fazer com que os mais cépticos em relação à rádio e à sua sobrevivência num mundo de imagens pudessem pensar que também há lugar neste ecossistema mediático para um meio sonoro.

Os números têm mostrado isso. E os ouvintes também.

Recordemos o recente movimento em torno do nome de João Paulo Guerra após ter sido chumbado pelo Conselho de Opinião da RTP para Provedor do Ouvinte da rádio pública (entretanto, já renomeado). Gente do jornalismo, da rádio, da cultura, da música. Todos se manifestaram em torno de um nome, mas certamente em torno da rádio.

E recordemos também o não muito distante caso da Rádio Terranova, da Gafanha da Nazaré, que motivou uma onda de solidariedade depois de o emissor ter ficado danificado após ser atingido por uma tempestade.

A rádio já não é o meio aglutinador de massas que foi outrora. É certo que as audiências se dispersam por vários meios e várias plataformas, mas é uma precipitação não incluir nesse menu a rádio, que tem tantas formas de reaparecer sistematicamente no nosso quotidiano. A rádio ganhou novas vidas na vida de cada um de nós. Está na Internet, nas aplicações móveis. Gerou novos formatos: webrádios, podcasts.

O principal argumento dos que acreditam que a rádio está a morrer, é que ela não consegue manter-se à tona num cenário em que prevalece a Internet e as diversas plataformas digitais. Mas, na realidade é isso mesmo que a tem mantido viva.

Bem vistas as coisas, a Internet não substituiu a rádio, multiplicou-a.

 

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