

… Para qualquer criança a felicidade deve ser um estado de alma constante. A Leonor está de férias. Cresceu, está mais autónoma. Não me queixo da sua independência, porque gosto dela assim. Somos cúmplices Continuamos cúmplices. Numa destas conversas ao fim da tarde sob o pouco fresco que o Alentejo deixa sentir quando o dia, com mais de 40 graus desaparece, falou ela, como se estivesse a falar eu ‘pai, eu gosto das férias e de tudo isso. Do calor  da praia, do sol… mas de vez em quando tenho saudades’
– Saudades de quê?
– Tenho saudades do tempo frio…
– Já? Ainda agora começou o Verão!
– Eu sei, mas tenho saudades de sair de casa e ver gente todo o dia. As mesmas pessoas à mesma hora. Não que tenha saudades da escola, mas estou a pensar que tenho saudades desses dias, percebes?
– Rotina?
– Sim, é isso. Tenho saudades da rotina.
A rotina faz-se de felicidade. Ela é igual a mim. Eu também gosto de variar, de ser surpreendido, de fazer diferentes, mas sou muito ligado às minhas rotinas. Já vos falei aqui tanto disso. É bonito perceber isto. Eu acho que quando sentimos falta da nossa rotina, é porque nela somos felizes, mesmo que de vez em quando reclamemos. Concordam?







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