O livro Entre Flandres e Santo António. Uma história de amor, da autoria de José Ramalho, foi apresentado na tarde deste sábado, 20 dezembro, na vila de Alandroal, num momento que reuniu literatura, música, memória e identidade local.
A sessão teve início com uma breve interpretação musical, criando o ambiente para a apresentação de uma obra profundamente ligada à história e à tradição do concelho. Presente no lançamento, o Presidente da Câmara Municipal de Alandroal, João Grilo, destacou o enorme prazer em participar na iniciativa, sublinhando a amizade de muitos anos que o une ao autor, bem como a ligação afetiva de José Ramalho ao território alandroalense.


Segundo o autarca, essa ligação sente-se ao longo de toda a obra. “A tradição de Alandroal enche este livro”, afirmou, lembrando o lema do município: Alandroal, onde a História nunca acaba – para reforçar que “a história de Alandroal acaba por aparecer em todo o lado”. João Grilo destacou ainda a riqueza cultural diversa do concelho, que atravessa várias épocas e áreas, da história mais antiga à cultura popular, da identidade local às tradições, elementos que continuam a inspirar e a aproximar as gerações futuras através da literatura.


A apresentação da obra contou também com a intervenção de João Canha, que fez uma análise aprofundada do livro, situando-o no contexto histórico da Primeira Guerra Mundial. O apresentador sublinhou os desafios vividos pelas populações da época, que viam partir os jovens da aldeia sem compreenderem plenamente o destino que os aguardava. Apesar do pano de fundo histórico duro, trata-se de “uma história de amor, com muitas histórias de amor dentro”.
Catarina integrou igualmente a sessão, destacando o estilo romântico da escrita, que considerou muito adequado à narrativa, e confessando a sua surpresa pelo talento e pelo domínio deste registo literário por parte do autor.
A obra retrata com detalhe a vida quotidiana no início do século XX, no Alentejo e também em Lisboa, incluindo uma forte componente etnográfica, com referências a ditos populares e expressões como “comida dormida”, usada para designar a refeição do dia anterior. Foi ainda salientado o rigor histórico do livro, que aborda o contexto político da Implantação da Primeira República, as desigualdades sociais da época e temas como o incesto e a violência doméstica.


No final, José Ramalho agradeceu a presença de todos e afirmou que continuar “esta história que nunca acaba” implica, entre outras ações, incutir na sociedade atual a ideia que “é preciso esperançar”. O autor deixou ainda uma reflexão atual, questionando se a humanidade terá aprendido algo com a Primeira Guerra Mundial, um tema que volta a ganhar relevância nos dias de hoje.












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