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10 Abril, 2026

Estremoz e Badajoz reforçam laços culturais e constroem ponte sólida entre o fado e o flamenco

Estremoz e Badajoz lado a lado: uma parceria que cresce com a cultura e pretende alargar a outras áreas de cooperação.

A relação entre Estremoz e Badajoz continua a consolidar-se e a ganhar expressão através de projetos culturais conjuntos, num caminho de proximidade que se tem vindo a afirmar de forma cada vez mais estruturada entre o Alentejo e a Extremadura espanhola.

Esse entendimento ficou particularmente evidente na inauguração da exposição “DeVagar, entre bienais”, que abriu portas no passado dia 9 de abril, na Sala Vaquero Poblador da Diputación de Badajoz. A mostra, que apresenta o acervo da Bienal Internacional do Alentejo (BIALE) através de obras de mais de 50 artistas, traduz-se numa viagem pela identidade e evolução da Bienal, cruzando arte contemporânea com território, memória e ligação entre criadores.

A presença desta exposição em Badajoz surge como mais um passo na internacionalização da BIALE, mas também como reflexo de uma estratégia mais ampla de cooperação cultural entre os dois territórios.

O presidente da Câmara Municipal de Estremoz, José Daniel Sádio, destacou que este caminho não é recente, mas antes o resultado de um trabalho continuado de aproximação.

“Já iniciámos este caminho, esta colaboração há muito tempo. Ainda no ano passado tivemos integrado no nosso Festival de Fado um grande concerto de flamenco e este ano vamos repetir, no dia 9 de maio, com um concerto com a Raquel Tavares e uma cantora de flamenco de topo em Espanha”, referiu.

Para o autarca, estes momentos culturais são sinais concretos de uma relação que vai muito além da proximidade geográfica.

“Isto é o sinal de proximidade que há entre a Diputación de Badajoz e o Município de Estremoz e que queremos também alavancar para outras áreas, com um foco muito especial na cultura. É sentirmos que o trabalho que está a ser feito dá frutos e que Estremoz é reconhecido e considerado em grandes cidades, como é o caso de Badajoz, que temos aqui mesmo ao lado”, sublinhou.

Também Ricardo Cabezas Martín, deputado da Diputación de Badajoz, reforçou a importância de estreitar relações entre territórios vizinhos, apontando para a necessidade de contrariar um certo afastamento cultural entre regiões fronteiriças.

“É fundamental desenvolvermos uma relação de proximidade com concelhos do país vizinho. Muitas vezes, estando tão próximos, não nos conhecemos. Vamos a Lisboa ou a Madrid, mas não reforçamos esta relação aqui ao lado”, afirmou.

O responsável destacou ainda o simbolismo das iniciativas conjuntas já concretizadas e em curso.

“Temos aqui em Badajoz uma sala de exposições com artistas de Portugal e vamos ter também o Festival de Fado, em Estremoz, com a presença de uma das mais importantes cantoras de flamenco de Espanha- Celia Romero. Estamos a trabalhar no sentido de nos darmos a conhecer e desenvolvermos mais projetos em conjunto”, acrescentou.

A articulação entre o fado e o flamenco surge, assim, como um dos eixos mais visíveis desta cooperação, funcionando como ponto de encontro entre duas identidades culturais fortes, mas complementares.

A exposição “DeVagar, entre bienais”, patente na Sala Vaquero Poblador, assume-se como mais um exemplo dessa ligação, ao levar a arte contemporânea produzida no Alentejo até Badajoz, reforçando uma ponte cultural que se quer cada vez mais consistente e duradoura.

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