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11 Abril, 2026

Elvas revive o legado do Conde de Lippe em recriação histórica

Elvas recuou ao século XVIII na manhã deste sábado, 11 de abril, com uma recriação histórica dedicada ao Conde de Schaumburg-Lippe, figura central na modernização das fortificações da cidade.

A iniciativa decorreu na Praça da República, no âmbito do protocolo de geminação entre Elvas e a cidade alemã de Bückeburg, terra natal do conde. O momento institucional mais expressivo teve lugar nos Paços do Concelho com a receção à comitiva.

Vice-Presidente Nuno Mocinha recebeu a comitiva

A recriação trouxe ao centro histórico episódios e ambientes ligados à presença do Conde de Lippe em Elvas, com figurantes trajados à época, numa representação marcada pelo rigor histórico e pela componente pedagógica. A encenação esteve a cargo do Regimento de Infantaria Graf Wilhelm der Weckbatterie Wölpinghausen e.V.

Em declarações à Perspetiva, o vice-presidente da Câmara Municipal de Elvas, Nuno Mocinha, destacou que esta iniciativa “marca este momento marca a geminação com a cidade de Bückeburg”, sublinhando a importância desta ligação à cidade alemã de onde era oriundo o Conde de Lippe.

O autarca explicou que esta parceria permitiu trazer até Elvas um grupo que recria fielmente o contexto do século XVIII, dando a conhecer ao público a relevância histórica da figura: “foi uma pessoa importante não só para Elvas, mas também para Portugal, tendo sido responsável pelo Forte da Graça, um dos ex-líbris da cidade e património da humanidade”.

Nuno Mocinha destacou ainda o simbolismo desta iniciativa no contexto atual, referindo que “é sempre agradável, mas sobretudo importante, manter estas relações, ainda mais num período em que vemos muitas vezes as pessoas de costas voltadas umas para as outras, num contexto de guerra”. Nesse sentido, sublinhou que esta recriação “representa uma parceria, amizade e a capacidade de recordar aquilo que outrora fomos”.

O vice-presidente lembrou também que o Conde de Lippe foi trazido para Portugal pelo Marquês de Pombal, tendo desempenhado um papel determinante na estratégia militar da época, particularmente em Elvas, onde deixou uma marca profunda ao nível das fortificações.

A recriação histórica prossegue este domingo, 12 de abril, pelas 11:30, no Forte da Graça, permitindo ao público voltar a assistir a uma representação deste período marcante da história da cidade.

10 anos da requalificação do Forte da Graça

O Forte da Graça assinala o seu décimo aniversário de requalificação, no âmbito das comemorações dos 52 anos do 25 de Abril.

Sobre este marco, o vice-presidente da Câmara Municipal de Elvas, Nuno Mocinha, destacou o impacto profundo da intervenção realizada no monumento, sublinhando o esforço envolvido em todo o processo.

Foto de Arquivo

“Foi uma recuperação suada, que deu muito trabalho, mas que valeu claramente a pena. Permitiu pôr a descoberto uma pequena joia que sempre ali esteve, desde o século XVIII até aos dias de hoje, embora tenha tido várias funções ao longo do tempo”, afirmou.

O autarca realçou que, atualmente, o Forte da Graça assume hoje uma função essencialmente pacífica e cultural, estando aberto à visitação e acolhendo iniciativas expositivas, mas mantendo como principal valor o próprio monumento.

“Hoje, tem uma das suas funções mais pacíficas, sendo um espaço para ser visitado e apreciado. Mais do que qualquer outro elemento, o forte vale por si só”, referiu, acrescentando que a sua singularidade reside precisamente na sua autenticidade.

Nuno Mocinha destacou ainda o reconhecimento técnico e histórico do imóvel, considerando-o um exemplo máximo da arquitetura militar:

“Como alguém escreveu: o Forte da Graça é um monumento onde se esgotou a arquitetura e a engenharia militar, sendo o melhor exemplo do século XVIII nesta área.

O vice-presidente sublinhou também que a configuração abaluartada do forte e a sua integração no sistema defensivo de Elvas são fatores determinantes para o reconhecimento da cidade como Património da Humanidade.

Relativamente ao investimento realizado, considerou que se tratou de uma aposta ganha, resultado de um esforço conjunto entre diferentes entidades:

“Foi um bom investimento da Câmara Municipal de Elvas, do Estado português e dos fundos europeus. Houve um grande empenho coletivo para tornar esta obra uma realidade.”

Por fim, deixou um apelo direto à população, sobretudo aos elvenses, para que valorizem e visitem o espaço:

“Há milhares de pessoas que vêm de propósito visitar o Forte da Graça, e muitas vezes nós, que o temos aqui tão perto, acabamos por não o fazer. Fica o convite para que o redescubram.”

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