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1 Julho, 2024

Antigo Ciclo de Santa Luzia será a futura Escola Superior de Biociências de Elvas

Câmara Municipal de Elvas cedeu espaço por 50 anos. IPP vai reabilitar instalações e possibilitar o aumento de alunos e oferta formativa.

A partir desta segunda-feira, 1 de julho, o Instituto Politécnico de Portalegre (IPP) é a entidade responsável, pelo período de 50 anos, pelas instalações do antigo ciclo, em Elvas. 

O Município de Elvas assinou um protocolo de cedência do edifício da Escola de Santa Luzia, que ficou “vazio” e sem utilização após a abertura da nova escola. 

“Em vez de vender terreno para construção e ganhar milhões prefiro cedê-lo para o crescimento do Ensino Superior em Elvas”

Rondão Almeida

Para Rondão Almeida, Presidente da Câmara Municipal de Elvas, a escola fica localizada numa zona privilegiada da cidade de Elvas e, ao invés, “de vender a área para construção de moradias, preferimos ceder o espaço para ser reabilitado e aproveitado em prol do crescimento do ensino superior”. 

“São cerca de dois hectares de área no coração de um dos bairros, cujos terrenos  mais valor têm. A Câmara poderia receber 1 milhão, ou mais, para os construtores fazerem vivendas, mas não. O meu objetivo foi convidar o Presidente do IPP e fazermos este acordo”, explicou. 

Com esta cedência, Rondão acredita que está a “abrir as portas para que o ensino superior possa crescer e evoluir em Elvas”. 

O Presidente da Câmara Municipal de Elvas quer mais formação qualificada no concelho, esperando que a mesma desperte a procura e interesse por parte das empresas, ao mesmo tempo que lamenta que atualmente “em cada 100 alunos formados neste estabelecimento de ensino superior, apenas 1.4% ficam na região”. 

“É assim que pode evoluir uma cidade, com a formação dos jovens e desejar e tudo proporcionar para que venham para o Alentejo empresas que queiram esta mão de obra qualificada.  A Câmara de Elvas tem sido um exemplo no investimento que vem fazendo, juntamente , com o IPP”, lembrou o edil.  

Por sua vez, Luís Loures, Presidente do Instituto Politécnico de Portalegre, assegura que o processo para dar início à requalificação daquele espaço “deverá iniciar nos próximos 24 meses. Fizemos um levantamento minucioso e inicial dos laboratórios, salas, zonas comuns e desportiva, até porque a escola contém amianto”, lembrou.

O financiamento da obra é outra das questões que o Instituto terá de acautelar, pois será o único responsável por adquiri as verbas para a concretização do projeto.

“Estamos, neste momento, a fazer o projeto e depois há também a questão do financiamento. Sabemos que vão existir oportunidades de financiamento regionais e nacionais para infraestruturas de desenvolvimento económico e ciência e estamos a aguardar”.

“Processo de construção da Residência de Estudantes deveria ter sido igual a este e não ser a Câmara a pagar quase 2 milhões”

Rondão Almeida

Relativamente ao financiamento, Rondão é perentório: “o único que fazemos (Câmara) é  ceder o espaço por 50 anos. O resto cabe ao IPP. Assegurei-me que haveria garantia de comparticipação financeira por parte da comunidade europeia com a CCDR Alentejo e o restante  pagará o IPP”. 

Luís Loures assegura que a parte que couber ao IPP “haverá financiamento para ela”.

A questão do financiamento de uma obra direcionada à educação aviva  “questões antigas” na memória do Presidente da Câmara de Elvas, nomeadamente quando questionado sobre a reabertura da nova residência de estudantes na cidade: 

“Essa projeto deveria ter sido exatamente como foi este, ou seja, a Câmara era possuidora do imóvel , deveria tê-lo colocado nas mãos do IPP e este teria apresentado a candidatura através do PRR com apoio de 100% e evitava que a Câmara de Elvas tivesse de gastar quase 2milhões de euros”. 

Rondão diz não aceitar esta forma de governação do seu antecessor. 

“Ainda tive de apanhar o barco numa fase de início, com o projeto aprovado e com dificuldades em convencer o construtor civil para dar inicio a obra.

A obra iniciou-se, a Câmara teve de pagar e está tudo pago, até este momento, e daqui por uns dias iremos inaugurar a residência”, confirmou.  

“Queremos ter 800 alunos até 2028”

Luís Loures

Luís Loures, Presidente do IPP reconhece que existe atualmente uma limitação física na estratégia de crescimento da Escola Superior de Biociências de Elvas. Precisam e querem crescer, mas até ao dia de hoje, não era possível: 

“Queremos iniciar as obras o quanto antes, porque cada dia que nós perdemos é capacidade e oportunidades perdidas. Na realidade já fazemos uma ginástica extraordinária para meter aqui os atuais 550 alunos.

Esta escola foi construída para ter pouco mais de 200 alunos e passados estes anos temos mais do dobro.

Temos um plano estratégico de desenvolvimento que indica que deveríamos ter cerca de 800 alunos até 2028 e estamos com dificuldade em cumprir esse objetivo porque não temos salas, nem espaço para crescer”, explicou. 

A direção do IPP, assim como a direção do Pólo de Elvas, pretendem transformar o antigo ciclo de Santa Luzia na futura Escola Superior de Biociências de Elvas.

Luís Loures apresentou a estratégia: “a Escola Superior de Biociências vai continuar a ter dois edifícios, nomeadamente o atual quartel do trem e, no futuro,  a antiga escola de Santa Luzia (o espaço devoluto). A nossa ideia passa por ter tudo o que é formação de primeiro nível, cursos técnicos superiores profissionais e licenciatura passar para o novo edifício, sendo que o quartel do trem vai ficar mais dedicado à componente da pós graduação, mestrados e doutoramentos  e investigação”.

Há também serviços prestados à comunidade que irão ficar mais bem localizados no Bairro de Santa Luzia, como será o caso do Centro de Atendimento Veterinário. 

Todas as limitações que os docentes e alunos sentem atualmente serão superadas com este novo edifício. 

“Temos o objetivo de termos, no mínimo, sete laboratórios e 15 salas, ampliar cerca de 60 a 70% aquela que é a nossa capacidade atual”, assegurou Luís Loures.

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