ActualLuís BonixeOpinião
15 Setembro, 2017

As rádios locais que perderam o pio

Nem uma palavra sobre as Autárquicas. Quem ganhou, quem perdeu. Reações, perspetivas. Nada.

Ainda me recordo de há quatro anos querer informações sobre as eleições no meu concelho de residência, ligar a rádio local e apenas ouvir música, música e mais música. Nem uma palavra sobre as Autárquicas. Quem ganhou, quem perdeu. Reações, perspetivas. Nada.

É um dos melhores exemplos da falência das rádios locais em Portugal. Abdicaram de um papel que é seu e que nenhum outro meio de comunicação poderá desempenhar por elas. Pelo menos, com a mesma qualidade. É preciso ser justo e dizer que nem todas as rádios locais portuguesas se transformaram em gira-discos. Felizmente que ainda várias que, mesmo com dificuldade, vão desempenhando a sua função de proximidade com as comunidades onde se inserem.

Mas, em alguns pontos deste país, o panorama é desolador. As duas grandes áreas metropolitanas – Lisboa e Porto – são bons exemplos de como o modelo de radiodifusão local português é um completo falhanço. A maior parte não tem qualquer função de rádio local. Pertencem a grupos de média e são a expressão prática da política de nichos desses mesmos grupos. Há rádios de música tropical, rádios de música de dança… mas não há rádios locais.

Bem se percebe que a causa deste cenário se deve, em boa parte, a um nascimento defeituoso. Na década de 80 do último século, achou-se por bem distribuir várias frequências em concelhos sem capacidade para manter essas rádios, dado que todas elas são privadas e vivem da publicidade.

Muitas encerraram. Outras foram vendidas a grupos económicos e transformadas em gira-discos. Outras ainda, optaram por abdicar da informação e são hoje rádios temáticas musicais, o que lhes permite ter uma programação exclusivamente musical poupando o orçamento na contratação de jornalistas.

É por isso que este ano, uma vez mais, vou saber dos resultados eleitorais do concelho em que resido e voto (na Grande Lisboa) pelas televisões. Não vou ter acesso a reações na noite dos resultados, porque as televisões só vão olhar para as grandes cidades. E muito menos vou ouvir comentário político sobre o meu concelho ou sobre os políticos que se apresentam a votos.

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