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ActualRegional
30 Junho, 2020

Bombeiros de Elvas atiram farda ao chão: “Com estes senhores não trabalhamos”

Prestação de socorro à população comprometida. Corpo de bombeiros ficam em protesto até à saída da direção ontem eleita.

Dezenas de elementos da corporação dos Bombeiros Voluntários de Elvas não reconhecem a eleição ocorrida na noite de segunda feira, 29 de junho, para os órgãos sociais desta Associação.

Recorde-se que Amadeu Martins e a sua equipa foram reeleitos para os órgãos sociais daquela instituição.

Esta terça feira, 30 de junho, dezenas de bombeiros da corporação elvense (42) manifestaram o seu desagrado para com os resultados desta eleição com uma concentração na Praça da República desta cidade.

“Com estes senhores os bombeiros recusam-se a trabalhar”

Em declarações à Perspetiva, Tiago Bugio, comandante da corporação dos bombeiros de Elvas, referiu que “este tipo de pessoas (Amadeu Martins e Paulo Ortiz) não pode estar à frente de uma associação”, adiantando que “os bombeiros não reconhecem estes senhores que têm gozado, maltratado e humilhado os bombeiros e, portanto, com estes senhores os bombeiros recusam-se a trabalhar”.

A tomada de posição é “intransigente” e, por isso, pode mesmo estar em causa a prestação de socorro à população elvense.

Prestação de socorro à população comprometida

Tiago Bugio concretiza o ponto de situação e as consequências que esta tomada de posição pode ter.

“Pode estar em causa a prestação de socorro. Neste momento estamos a assegurar um contingente mínimo de operacionais para uma situação de incêndio ou acidente, bem como o pré-hospitalar, mas que a qualquer momento pode ficar comprometido. A própria central de telecomunicações, que é um ponto nevrálgico para o desempenho das funções de socorro, também pode estar também em causa visto termos elementos de baixa, outros que estavam a assegurar o trabalho como voluntários e esses elementos, neste momento, recusam-se a trabalhar porque não se revêm na liderança daqueles senhores”.

“Não queremos trabalhar com aqueles senhores”

O desagrado e as dissidências entre a direção e o corpo de bombeiros não são novidade na Associação de Elvas.

“Os bombeiros já por três vezes disseram que não querem trabalhar com aqueles senhores, concretamente, em agosto de 2019, em março de 2020 e agora mais uma vez. Penso que as pessoas e os sócios devem tirar as suas próprias conclusões”, lembrou Tiago Bugio.

Mensagem de desagrado não chega aos sócios

Contudo, a mensagem de desagrado parece não estar a chegar aos sócios, que continuam a eleger estes elementos, como de resto aconteceu na última segunda feira.

Relativamente a esse ponto, Tiago Bugio, entende que não está a ser dita a verdade aos sócios.

“Os sócios se calhar não sabiam desta situação e a mensagem política que essas pessoas passaram não foi a mais correta, com argumentos sem substância para levar os sócios a votar”, justificou.

“Se eles ficarem nós não ficamos”

O comandante da corporação dos bombeiros de Elvas reiterou que a tomada de posição é inabalável até que haja uma mudança de direção.

“É intransigente. Se aqueles senhores insistirem em continuar na liderança dos bombeiros, o pessoal não vai ficar, aconteça o que acontecer. Se eles ficarem nós não ficamos”.

Bugio acrescentou ainda, “os bombeiros sem direção conseguem trabalhar. A direção sem bombeiros não consegue fazer nada”, afirmou.

A corporação dos bombeiros de Elvas tem 84 operacionais, dos quais 42 marcaram presença nesta concentração.

A lista A, liderada por Amadeu Martins, foi eleita ontem com 110 votos. A lista B, liderada por Paulo Andrade, obteve 93 votos.

“Bombeiros sem botas e sem luvas partilharam equipamento”

Bugio recordou ainda algumas das principais situações que provocaram este desentendimento:

“Desde fevereiro de 2019 que o corpo de bombeiros sentiu um afastamento da associação humanitária, ou melhor, das pessoas que a dirigiam. Desde essa altura que foi notória a falta de equipamento de proteção individual, falta de material para as ambulâncias para a prestação de socorro, desde bombeiros sem botas e sem luvas, inclusivamente houve bombeiros que tiveram de emprestar as suas botas ao colega que iria entrar de serviço. Em agosto de 2019, após diversas situações, desde incêndios em que não nos foi fornecido alimentação, após várias horas de combate a incêndio, aos operacionais de Elvas e de outras corporações; menosprezarem os operacionais; desrespeitaram o presidente da Assembleia Geral e Presidente do Conselho Fiscal não os recebendo; o relatório de contas de 2018 que tinha de ser aprovado no primeiro trimestre de 2019, que a Assembleia Geral e Conselho Fiscal pediram para verificar não existia; apareceu um parecer que dizia que os bombeiros tinham tido um défice de 67 mil euros quando no ano transato, em 2017, os bombeiros tinham tido um saldo positivo de 138 mil euros, não se percebe”.

“Auditoria foi a gota de água – Onde estão os 22 mil euros?”

A gota de água do descontentamento foi a auditoria agora conhecida.

“No culminar de todas estas situações está a auditoria afixada no quartel. O documento revela que foi efetuado, em contabilidade, um depósito de 38 mil euros, onde o comprovativo é 16. Onde estão os 22 mil euros? Para estas situações o senhor Amadeu e o senhor Paulo Ortiz não têm explicações. Os bombeiros dizem Chega a terem este tipo pessoas à frente de uma Associação”.

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