A exposição “Entre Mãos e Devoção – Uma Coleção de Santo António”, do colecionador Alexandre Correia, foi inaugurada este sábado, 16 de maio, no Convento de Nossa Senhora da Luz, em Arronches, onde ficará patente ao público até 30 de junho.
A mostra reúne mais de uma centena de peças dedicadas a Santo António, integrando uma coleção singular construída por Alexandre Correia desde 2014 e que conta atualmente com mais de 8.600 peças de artesanato português, provenientes de todo o país, do Minho ao Algarve, incluindo os Açores e a Madeira.
“Muito gratificante receber Alexandre e a sua coleção em Arronches”


Na inauguração, o presidente da Câmara Municipal de Arronches, João Crespo, destacou a importância cultural da iniciativa.
Segundo o autarca, esta mostra “representa um importante contributo para a valorização do património cultural e das tradições artesanais, dando a conhecer ao público um conjunto de peças cuidadosamente reunidas ao longo do tempo por Alexandre Correia, cuja dedicação à preservação e divulgação do artesanato merece o nosso sincero reconhecimento”.
João Crespo acrescentou ainda que “mais do que uma simples exposição, esta iniciativa constitui uma oportunidade para revisitar memórias, apreciar técnicas e expressões artísticas tradicionais e reforçar a importância de preservar saberes que fazem parte da nossa identidade coletiva”.
O presidente da Câmara sublinhou também que “é uma coleção com peças notáveis” e considerou ser “muito gratificante receber Alexandre e a sua coleção em Arronches”.
“Esta exposição em Arronches é um convite à descoberta, um encontro entre a fé, a arte e a identidade”


Por sua vez, o colecionador Alexandre Correia explicou que a coleção resulta de anos de dedicação, investigação e contacto direto com artesãos portugueses.
“A coleção abarca peças desde o século XVII até aos dias de hoje, muitas destas peças feitas em exclusivo para a minha coleção”, referiu.
Alexandre Correia salientou ainda que cada peça “conta uma história” e representa “expressões únicas da criatividade popular, refletindo técnicas, tradições e identidades regionais que continuam vivas através do trabalho dos artesãos portugueses”.
Ao longo deste percurso, o colecionador afirma ser presença assídua em oficinas de artesanato por todo o país, onde tem tido o privilégio de conhecer “processos e mestres que mantêm viva esta herança cultural”.
“Tenho vindo a apresentar esta coleção em diversas cidades do país, promovendo exposições e conferências que procuram valorizar, preservar e divulgar o saber-fazer artesanal”, afirmou.
Para Alexandre Correia, “esta exposição em Arronches é um convite à descoberta, um encontro entre a fé, a arte e a identidade”.
O colecionador destacou ainda a sua ligação espiritual a Santo António, afirmando que “antes de ser colecionador, sou devoto de Santo António”. Segundo explicou, foi precisamente essa devoção que inspirou o início da coleção.
Alexandre Correia revelou também que esta é a primeira vez que expõe quase a totalidade das peças apresentadas em Arronches, salientando que não costuma repetir peças nas exposições que realiza.
O colecionador elogiou igualmente as condições do Convento de Nossa Senhora da Luz, considerando que o espaço “tem excelentes condições”, deixando ainda um convite à população para celebrar Santo António, valorizar o artesanato e preservar as tradições.


Também Pedro Teotónio Pereira, diretor do Museu de Lisboa Santo António, associou-se à iniciativa, considerando que a coleção de Alexandre Correia “ultrapassa largamente o gesto de reunir objetos”, revelando “um trabalho continuado, coerente e de grande sensibilidade patrimonial”.
Segundo Pedro Teotónio Pereira, “Entre Mãos e Devoção – Uma Coleção de Santo António” propõe “mais do que a contemplação de imagens”, traduzindo-se “numa seleção exigente e informada, reunindo exemplos significativos de artesanato nacional dedicado ao santo”.
O responsável acrescentou ainda que a exposição revela “a dimensão imaterial da coleção, os afetos, as histórias e as devoções que a sustentam”.
“Que Arronches possa usufruir não só das peças aqui exibidas, mas também das narrativas que lhes dão vida, do santo, dos artífices e do colecionador”, concluiu.
A exposição pode ser visitada no Convento de Nossa Senhora da Luz, em Arronches, até ao próximo dia 30 de junho.











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