Há ano e meio que escrevo nestas páginas. Nesse tempo, tenho-me ocupado da atualidade, da política, das elites e do que observo à minha volta. Tenho dado opinião, tenho discordado, tenho insistido em pontos de vista que, em Elvas, não são particularmente populares. Mas, em todos estes meses, nunca me detive a explicar ao leitor quem está do outro lado do texto. Quem assina a crónica. De onde vem. Por que motivo escreve como escreve, e não de outra maneira.
É essa apresentação que faço hoje. Faço-a porque o registo a partir do qual escrevo — afastado das elites sociais e intelectuais da cidade, distante dos círculos onde se decide o que merece ou não ser dito — não se compreende sem o percurso pessoal que o sustenta. Sem ele, este cronista é apenas mais uma voz; com ele, talvez se perceba melhor por que motivo certos assuntos me incomodam mais do que outros, e por que motivo me recuso a passar ao lado deles.
Mourão, 1993
Nasci em 1993, em Mourão, uma aldeia do distrito de Évora com cerca de dois mil habitantes, encostada à fronteira espanhola e à albufeira do Alqueva. Nasci no seio de uma família de etnia cigana, em condições que, mesmo para os padrões do interior alentejano dos anos noventa, eram particularmente difíceis. Trazia, à nascença, uma distrofia muscular congénita — uma doença que atrofia a parte muscular do corpo e provoca más-formações, e que me acompanharia toda a vida.
Convém compreender o ambiente em que isto se passou. Em comunidades como aquela em que nasci — fechadas, sem literacia, ultraconservadoras e marcadas por crenças em maldições, em mau-olhado e em forças do sobrenatural — uma criança com deficiência não era recebida como um filho qualquer. Era lida. Era interpretada. E, na maioria dos casos, era interpretada como sinal: de azar, de castigo, de algo que entrou em casa e não devia ter entrado.
Os meus pais deixaram-me num hospital em Évora poucos dias após o nascimento. Não houve confronto, não houve tribunal, não houve drama público. Houve, simplesmente, uma família que partiu, e uma criança que ficou. A partir daí, a minha vida passou a ser administrada pelo Estado.
Hoje, à distância de mais de três décadas, tento entender as razões do abandono. Entendo, ainda que não desculpe. Para os meus pais, ter um filho com deficiência foi interpretado como obra do diabo; a explicação verdadeira — o facto de serem primos próximos, e de a consanguinidade aumentar a probabilidade de doenças genéticas — nunca foi assumida, nem nunca chegou a ser discutida em casa. Não fazia parte do vocabulário disponível.
Olho para trás sem mágoa, e isto talvez seja o mais difícil de explicar a quem ouve esta história pela primeira vez. Se tivesse crescido naquela comunidade, dificilmente teria uma licenciatura em jornalismo, dificilmente estaria a tirar o mestrado e dificilmente trabalharia numa agência de comunicação. O mais provável é que estivesse fechado em casa, tratado como inapto, dependente de quem nunca esperou que eu pudesse ser outra coisa. É o destino habitual de quem nasce com deficiência no seio da etnia, e não tenho ilusões a esse respeito.
A APPA-CDM
A instituição em que cresci chama-se APPA-CDM — Associação Pais e Amigos do Cidadão com Deficiência Mental — e fica em Évora. Foi ali que se fez o meu desenvolvimento intelectual, e foi ali que se tomou uma das decisões que mais marcaram a minha vida: a de integrar uma criança com deficiência física num grupo de pessoas com deficiência mental.
A decisão, hoje sei, terá tido razões administrativas. Faltariam vagas noutro tipo de equipamento, faltariam respostas para um caso como o meu, e a APPA-CDM era o que existia à mão. Mas as razões administrativas têm consequências quando se aplicam a uma criança. E as consequências, no meu caso, foram acompanhar-me todos os dias durante anos. Cresci num ambiente em que muitos dos residentes apresentavam comportamentos próprios da sua condição — gritavam, tinham crises, exibiam reações que, noutro contexto, seriam evitadas a uma criança em fase de formação. Para eles, o lugar era o adequado; para mim, era um lugar onde, sendo o único entre muitos, aprendia a observar antes de aprender a falar.
Não guardo desta fase ressentimento contra os técnicos, contra as auxiliares ou contra os colegas. Guardo, isso sim, a consciência de que há vidas que começam com o cenário trocado — e a minha começou assim. Esse cenário deixou marcas que continuam a aparecer, sobretudo na forma como escrevo. Quem ler os quatro volumes que irei publicar numa obra só, vai reconhecê-las sem esforço: ambientes distópicos, personagens psicologicamente perturbadas, sob sofrimento emocional, com uma visão distorcida da sociedade e dos seus mecanismos. Os livros são, em parte, essa infância a falar — não em forma de denúncia, mas em forma de matéria literária. Aprendi a escrever sobre o desconforto porque o desconforto foi, durante muito tempo, o meu único território.
Aos 18 anos, com a desvinculação do Estado, saí da instituição. Foi uma saída natural, não uma rutura: cumprida a maioridade, deixava de fazer sentido continuar ali. Voltei a Mourão, para junto dos meus pais, sem saber muito bem o que esperar do reencontro. Estive lá três anos.
O reencontro com a família
Foi nesse regresso que conheci, de facto, a minha família. A palavra “família” parecia-me, até esse momento, uma palavra abstrata; só nesse regresso é que ganhou rosto, voz e endereço. O endereço era uma comunidade de barracas, à entrada da vila, instalada numa zona de terra batida, sem condições mínimas de higiene, sem saneamento estável, sem qualquer aparência de permanência — embora ali se vivesse há anos.
Foi nesse contexto que fiquei a saber que tenho oito irmãos, três dos quais com deficiência. Eu fui o primeiro. Depois de mim, vieram mais dois. Foi este o dado mais difícil de processar, e continua a ser. Considero que, a partir de certo ponto, deixa de haver desculpa: uma coisa é ter um filho com deficiência sem o saber, sem suspeitar, sem ter sido alertado; outra coisa é identificar o problema e repeti-lo, com plena consciência. Os meus pais escolheram o segundo caminho — duas vezes mais.
Tenho consciência de que estas frases são duras quando aplicadas a quem me deu a vida. Mas falo do que vi, e não me sinto em condições de embelezar o que vi.
O que mais me marcou, no entanto, naqueles três anos, não foi a pobreza material. Foi outra coisa, mais difícil de descrever a quem nunca esteve dentro. Foi ver as minhas irmãs, com 17 anos, a saírem da escola para casarem ilegalmente — porque o casamento, ali, não passava por registo civil — e, meses depois, a terem o primeiro filho. Ao fim de pouco mais de um ano, já tinham dois. Vi raparigas de quem podia ser amigo a serem tratadas como mulheres feitas, antes de o serem; vi a infância e a adolescência colapsarem num só gesto; vi mães-meninas a procurar lugar para mais um berço numa barraca onde já não cabia ninguém.
A forma como a mulher é tratada na comunidade cigana não é digna. Digo-o sem rodeios, e não recuo. É algo que não se espera ver, em pleno século XXI, em Portugal, num país da União Europeia, a poucos quilómetros das mesmas instituições que produzem relatórios sobre igualdade de género.
Uma mudança ideológica
Foi, em larga medida, essa convivência que me fez alterar a minha posição política. Saí de Mourão com uma sensibilidade diferente daquela com que entrei.
A esquerda fala dos direitos das mulheres, da igualdade de género e da violência doméstica. Os programas eleitorais repetem-no, os comunicados repetem-no, as elites sociais e culturais repetem-no nas redes sociais e nos painéis de televisão. Mas, quando o mesmo problema se coloca dentro da etnia cigana, instala-se um silêncio que custa a explicar. As mesmas associações que se mobilizam, com toda a razão, contra a violência doméstica — que organizam vigílias, que pedem leis mais duras, que ocupam o espaço público — fingem não ver o que ali acontece. Ou veem, e não sabem como falar disso sem que a conversa lhes saia do controlo. Ou sabem, mas calculam o custo político da denúncia e preferem outro tema.
Foi a perceção desta hipocrisia — desta distância entre o discurso e a ação — o principal motivo da minha mudança da esquerda para a direita. Não foi uma mudança ideológica abstrata, lida em livros ou ouvida em comícios. Foi uma mudança que tem rosto: o das minhas irmãs, e o de outras raparigas como elas.
A chegada a Elvas


Cheguei a Elvas com 22 anos. Vinha sem expectativas concretas, sem rede de contactos, sem outra coisa que não a vontade de começar alguma coisa em algum sítio. Passei seis meses num centro de acolhimento para sem-abrigo. Foram seis meses úteis: foi entre aquelas paredes, entre o silêncio dos quartos e o bulício do refeitório, que estruturei a minha vida em três objetivos, por esta ordem: arranjar emprego, arranjar casa e retomar os estudos.
Sempre soube que queria ser mais do que uma pessoa com deficiência física a sobreviver. A frase pode parecer dura para outros que partilham comigo a mesma condição, mas mantenho-a. Sei que esta não é a posição maioritária. A maior parte das pessoas com deficiência são resignadas — e, em parte, foram ensinadas a sê-lo, por instituições, por famílias e por uma sociedade que continua a ter mais facilidade em dar pena do que em dar oportunidade. Deixam-se conduzir pelas decisões dos outros, pelas escolhas dos outros, pelos limites dos outros.
Considero que isso configura uma forma de autocomiseração e de falta de amor-próprio — e, no limite, um atestado de inaptidão preenchido pela própria pessoa. Recuso esse caminho. Recusei-o naquele centro de acolhimento, com 22 anos, e continuo a recusá-lo agora.
A entrada na licenciatura
A ideia de me licenciar andava-me na cabeça há algum tempo, sem contornos definidos. Foi o João Fernando Velez Vinagre que, por mensagem, me avisou que havia vagas pelos maiores de 23 para o curso de jornalismo do Instituto Politécnico de Portalegre. Conheci-a com a desconfiança natural de quem nunca se viu ali. Hesitei: tinha um emprego precário, uma reforma de trezentos euros e apenas o nono ano de escolaridade. A questão que se impunha era, em rigor, embaraçosa de formular: estaria eu à altura de frequentar um curso superior, depois de tantos anos sem frequentar uma sala de aula?
Foi nesse momento de dúvida que entrou em cena um episódio que, ainda hoje, conto a quem quer ouvir. No dia anterior aos testes de admissão, fui despedido da Câmara, onde trabalhava no programa MTJ — Mercado Trabalho Jovem, um daqueles programas pensados para integrar e que, na prática, se confundem facilmente com mão-de-obra disponível ao desbarato. Cumpria, na altura, quase tantas horas como um funcionário efetivo, fazia fins de semana sem ser pago e prestava horas extraordinárias que não constavam de lado nenhum. Recebia, por isso, 250 euros por mês, contra o salário mínimo dos restantes funcionários — funcionários esses com quem partilhava o mesmo cansaço e o mesmo número de horas.
Entre as minhas funções estava a de abrir e fechar a Igreja todos os dias e passar lá serões inteiros, das nove às seis . Era um ritual, repetido com pontualidade: rondar o interior, verificar os bancos, apagar luzes, trancar as portas. Numa dessas tardes, a quinze minutos da hora de fechar, fui informado de que iriam chegar visitas. Eram quase seis. Os visitantes — recordo bem — entraram a dançar e em tom trocista, e disseram-me, por palavras que não caem facilmente no esquecimento, “ria-se, está tão sério, é pago e mesmo assim estão de trombas”. Olhei para eles. Olhei para o relógio. Fechei a Igreja. E pedi-lhes que saíssem.
Não considero esta uma memória dramática. Considero-a, isso sim, esclarecedora. Mantenho que existem limites na forma como se trata uma pessoa, e que estes programas exploram, em larga medida, quem deles depende — quem precisa do dinheiro, quem precisa do papel, quem precisa de pôr alguma coisa no currículo. Ainda hoje não me arrependo. Reconheço, porém, que foi um ato de irresponsabilidade: quando se trabalha numa autarquia, representa-se a instituição, e não apenas a pessoa que lá está. Talvez, hoje, agisse de outra maneira — com mais método, com menos teatro. Mas o princípio que então afirmei, esse, não retiro.
No dia seguinte, fui a Portalegre fazer os testes. Cheguei com dor de cabeça, sem ter tomado o pequeno-almoço, e com o desemprego ainda quente nas mãos. Ainda assim, passei. Dos cinco candidatos, passaram dois. Foi a primeira vez, em muito tempo, que tive o sentimento exato de estar no sítio certo.
A licenciatura, em dois planos
A licenciatura, no plano académico, correu bem. Acabei com média de doze valores e sem grandes dificuldades curriculares. Adaptei-me ao ritmo das aulas, às avaliações, aos trabalhos de grupo, à exigência de ler em três línguas o que antes lia apenas numa. Em sala, era um aluno como outro qualquer.
Fora dela, a história foi outra. Foi feita de dificuldades financeiras frequentes, de dias em que mal comia, de várias idas às urgências quando o corpo, já fragilizado pela distrofia, não aguentava o regime a que era submetido. Não havia uma estrutura de apoio por trás. Não havia pais a pagar contas, não havia tios a depositar mesada, não havia ninguém ao telefone a perguntar se estava tudo bem. Havia um jovem com deficiência física e trezentos euros mensais, com os quais tinha de financiar uma residência de estudantes, uma casa em Elvas, propinas, alimentação, transportes, livros — tudo o que um curso superior implica e que, do lado de fora, parece evidente.
Esses anos cobraram um preço que continuo a pagar. Mas a licenciatura concluiu-se. E foi um marco importante — não só ao nível pessoal, como salto autobiográfico, mas também ao nível da qualificação e da credibilidade. Foi a primeira vez que pude apresentar-me com um título encostado ao nome.
O regresso à precariedade
Após a licenciatura, e ao contrário do que a propaganda da formação superior sugere, voltei a uma situação de precariedade. As respostas profissionais demoraram a chegar. Concorri a vagas, enviei currículos, aguardei entrevistas que não se realizaram. Foi frustrante, dada a quantidade de sacrifícios pessoais que a formação tinha exigido. A frustração não veio do ego — veio do desencontro entre o esforço aplicado e o retorno obtido.
Por ironia, regressei ao MTJ. Desta vez à biblioteca municipal de Elvas, sob a coordenação da Dra. Tânia Rico. E, no entanto, foi uma experiência inteiramente diferente da anterior. Havia objetivos definidos, prazos, planos de leitura, , resumos de livros, recomendações e categorização de obras . O trabalho exigia rigor. Produzia consequência. Sentia, ao fim do dia, que tinha feito alguma coisa de útil — uma sensação rara em programas desta natureza.
Trabalhar com a Dra. Tânia foi gratificante; é uma excelente profissional, com critério e sentido pedagógico, e dela aprendi mais do que aquilo que está nos manuais. Ainda assim, optei por não renovar o programa. Considero que a autarquia, pela sua natureza, não oferece projetos que me realizem profissionalmente, e não me imagino a trabalhar para a Câmara, mesmo com a perspetiva de um vínculo definitivo. Pode ler-se isto como arrogância — talvez o seja. Mas coloca-se uma questão de fundo, à qual cada um responde como pode: deve uma vida orientar-se pela estabilidade financeira sem propósito, ou pela tentativa de fazer algo diferente, mesmo que mais incerto?
Optei pela segunda. Continuo a optar por ela.
Na agência de comunicação
Alguns meses depois, recebi um contacto que mudaria de novo a paisagem. O diretor de uma agência de comunicação — alguém que me conhecia havia dois anos e que vinha acompanhando o meu trabalho nas redes sociais, em particular as crónicas mensais para a Perspetiva — telefonou-me com uma proposta concreta. Convidava-me para integrar a equipa como redator jornalístico ao serviço, em regime à peça.
É aqui que afirmo, sem rodeios, que a alternativa existe. Trabalho remotamente, a partir de casa, com horário flexível e metas por objetivos. Compensa financeiramente e dispensa o nível de stresse típico de um emprego com horários fixos, onde se vende não só o trabalho, mas também o tempo de vida que sobra. É outra forma de organizar o dia. É outra forma de organizar a cabeça. E é, sobretudo, prova de que, mesmo numa região como o Alto Alentejo, é possível construir uma carreira por outras vias que não as habituais.
Atualmente, encontro-me numa fase de redescoberta. Estou a tirar o mestrado. Trabalho na agência. Escrevo para a Perspetiva. E tenho um romance novo em avaliação por uma editora local, à espera da confirmação de condições de publicação. Cada uma destas frentes ocupa o seu lugar, e cada uma exige, à sua maneira, atenção e silêncio.
A escrita de ficção e a banda desenhada
A minha paixão principal não é o jornalismo, importa dizê-lo. É a ficção. É a possibilidade de inventar mundos, de criar personagens, de conduzi-las, de pô-las a discutir entre si os assuntos que me atravessam. É na ficção que sou mais autor, e é na ficção que estou mais inteiro.
Tenho, no entanto, encontrado dificuldades em publicar. O modelo editorial português, na sua versão atual, não favorece autores como eu. Editar um livro envolve um investimento inicial de cerca de mil euros — apenas para chegar à fase de impressão — e as grandes editoras ficam, ainda assim, com a maioria dos lucros das vendas. É um modelo em que pesa menos a qualidade da obra e mais a capacidade financeira do autor. Quem tem dinheiro, publica; quem não tem, escreve para a gaveta. Afeta-me, e não escondo. Tenho imaginação e capacidade de escrita para abordar praticamente qualquer tema, e aquilo que verdadeiramente me move, repito, é a possibilidade de inventar mundos. Não me conformo, com 32 anos, a deixar essa capacidade fechada num computador.
Acompanha-me também, desde sempre, o gosto pela banda desenhada — em particular pelos universos da DC e da Marvel. Coleciono BD, vou ocasionalmente a Lisboa para comprar a edição mais recente do Batman e tenho figuras de coleção em casa. É a minha vertente mais nerd, e não tenho qualquer dificuldade em assumi-la. Pelo contrário: é uma das marcas pessoais a que mais prezo , e é também uma das fontes a que vou buscar imaginação para a ficção que escrevo.
A médio prazo, gostaria de trabalhar como argumentista — num filme, numa série ou numa curta-metragem. É um objetivo a que aspiro, e a que continuo a trabalhar, mesmo sem a certeza de chegar lá. Não tenho vergonha de o anunciar publicamente, e talvez seja precisamente por o anunciar que continuo a perseguir o caminho.
O presente
Por agora, a realidade é a que descrevo. Trabalho na agência de comunicação. Escrevo para o leitor, mês a mês, procurando partilhar a minha leitura do mundo — mesmo quando essa leitura desagrada. Faço-o com a consciência de que sou um iniciante, com pouca experiência de vida, ainda jovem, ainda a aprender em quase tudo o que vou tocando.
Considero um privilégio escrever para pessoas mais velhas e com mais experiência do que eu, escrever num órgão de comunicação social regional que me dá espaço e tempo, e, em última análise, ter trabalho — algo que, na minha geração e na minha condição, não é evidente.
Não direi que vivo um momento particularmente feliz. A vida pessoal não acompanha as oportunidades profissionais, e essa é uma assimetria que aprendi a habitar sem grande dramatismo. Mas considero-me sortudo. E é com essa noção, e com a consciência clara de quem sou e de onde venho, que continuo a escrever.
José Martins – Jornalista






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