O artista Tiago Cutileiro inaugura no próximo dia 25 de março, pelas 19 horas, a exposição A Portuguesa que Ama o Inseto Artificial, no Núcleo Central do Taguspark, em Oeiras. A mostra ficará patente ao público até 3 de junho.
Com um título provocador, a exposição propõe uma reflexão sobre o cruzamento entre tradição e tecnologia, explorando o diálogo entre memória, identidade e inteligência artificial. No centro da narrativa está a figura de uma mulher portuguesa – símbolo das artes tradicionais – que se apaixona por um inseto artificial, metáfora do universo digital e algorítmico.
Questionado sobre o conceito, o artista explica que o seu trabalho partiu de uma relação direta com a inteligência artificial, tanto ao nível visual como na escrita: procurou não copiar, mas antes transformar as sugestões geradas, estabelecendo um processo de troca em que também fornecia indicações à máquina. O objetivo passou por questionar se a inteligência artificial deve ser entendida como ferramenta ou ameaça.


Sobre essa questão, Tiago Cutileiro é claro: considera a inteligência artificial uma ferramenta com potencial significativo. Reconhece que já existem resultados de grande qualidade produzidos com o seu recurso, mas afasta qualquer ideia de competição. “Nunca vou lutar ou competir com ela, é uma luta injusta que estou condenado a perder”, afirma, sublinhando que a sua abordagem passa antes por integrar esta tecnologia no processo criativo. “Posso usá-la e aproveitar o que de positivo tem para me dar”, acrescenta.
A exposição reúne obras produzidas com materiais profundamente enraizados na cultura portuguesa, como barro, azulejo, terra, cal e folha de ouro, com destaque para a utilização de pigmentos em tons de azul, ocre e referências cromáticas ao Alentejo. Este conjunto materializa um diálogo entre o gesto humano – carregado de história – e a criação algorítmica.
Para reforçar essa relação, o projeto integra ainda filmes de animação desenvolvidos por um engenheiro informático com recurso à inteligência artificial, inspirados nas obras do artista, ampliando assim o conceito de colaboração entre humano e máquina.
“A Portuguesa Que Ama o Inseto Artificial” apresenta-se, assim, como um espaço de tensão e encontro entre dois mundos, onde tradição e inovação coexistem e se interrogam mutuamente.















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