Recentemente, o programa A Praça da Alegria passou pela nossa querida cidade para dar a conhecer, pela milésima vez, o que de melhor se faz no nosso concelho. Foi uma emissão em direto para festejar o trigésimo aniversário deste formato inovador da televisão portuguesa.
Foi um dia muito especial! Conseguíamos sentir no ar a alegria da praça, que transbordava de uma energia muito própria dos idosos que saem à rua de vez em quando. Eu, como espetador, deliciei-me com tanto positivismo em torno de grandes projetos — quer ao nível da câmara, do setor empresarial, e até da própria comunicação social.
Fiquei excitado, caro leitor. Afinal, vivia numa espécie de Nova Iorque e não me tinha dado conta disso. A dinâmica é tanta que os órgãos de comunicação social não têm mãos a medir com tanto movimento e interação. Chego mesmo a pensar se não deveríamos preocupar-nos com os jornalistas, que podem vir a sofrer de burnout.
Mas não vou falar de política local, até porque já existe quem o faça de forma exímia — especialmente de olhos vendados.
“E este é o grande problema da RTP: vive sistematicamente dentro de uma bolha em que tudo está bem e tudo é uma maravilha”.


O problema aqui, caro leitor, não é a forma como os protagonistas locais se elevam. Afinal de contas, estão a publicitar os seus projetos perante uma estação de televisão nacional. O problema chama-se RTP.
Peço desculpa, desde já, aos profissionais de televisão, mas emissões como aquela a que assisti não são serviço público. Uma coisa é divulgar projetos e dar visibilidade a uma cidade; outra coisa bem diferente é permitir que a propaganda seja transmitida sem sequer se investigar factos e dados.
Em vez de prestarem um serviço público, estão a tornar-se veículos de desinformação e fake news.
Ver uma apresentadora de televisão abanar a cabeça afirmativamente quando lhe dizem que o jornalismo local está muito ativo e dinâmico é simplesmente ridículo. Pior ainda é quando reforça a mentira dizendo: “Vocês fazem um trabalho importante.”
E este é o grande problema da RTP: vive sistematicamente dentro de uma bolha em que tudo está bem e tudo é uma maravilha. Fazem programas monótonos, como A Praça da Alegria, que praticamente ninguém assiste — apenas os acamados que não conseguem mudar de canal — continuando assim a perpetuar a decadência e a degradação da qualidade do serviço público, sem qualquer pudor.
A RTP, hoje em dia, é composta por profissionais que ganham balúrdios e vivem do estatuto. Sendo um serviço público de televisão financiado pelos nossos impostos, não se preocupam com as fracas audiências diárias. São funcionários públicos estagnados no tempo e sem qualquer sentido de responsabilidade pelo que fazem.
Quando uma mentira é dita em direto na televisão, a mesma deve ser desmentida — seja em que formato televisivo for.
Tudo isto levanta uma questão essencial: para que serve realmente a RTP?







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