O Presidente da Câmara Municipal de Elvas, Rondão Almeida anunciou um corte na ordem dos trinta por cento nos apoios às associações do concelho.
Ao final da tarde desta quarta feira, 20 de outubro, o executivo da autarquia iniciou um ciclo de reuniões com os diversos representantes associativos do concelho.


Respeitar o dinheiro público


No encontro ocorrido no Auditório São Mateus, Rondão começou por dizer aos presentes que tem de “haver respeito pelos dinheiros públicos” e que é necessário “parar com a forma como vimos gastando o dinheiro que é de todos”, até porque está ai à porta a concretização das Grandes Opções do Plano para os próximos quatro anos, bem como o orçamento para o próximo ano (2022).
Corte 30 % nas despesas correntes do municÃpio


O autarca recém eleito anunciou à plateia um corte na ordem dos “30 % nas despesas correntes do municÃpio”, justificando que corre o risco de “não ter capital para o investimento”.
Rondão sustentou a sua decisão com exemplos práticos: “Temos uma frota com doze carros. Todos os vereadores tinham carro. A partir de agora só o Presidente tem viatura. Todos os restantes devem deslocar-se para o trabalho nas suas viaturas e, quando em serviço de representação, devem deslocar-se nos carros da Câmara; não podemos continuar a ter horas extraordinárias de mais de 20 mil euros por mês”, concretizou.
Fazendo a ponte para o Movimento Associativo, Rondão ilustrou o que não quer que aconteça no seu mandato: “Os representantes de associações reunirem com o Presidente, têm uma conversa simpática e agradável e depois levam um subsÃdio de 50,60,70 e 80 mil euros. Meus amigos, isso acabou”.


“A cultura do pedido de subsÃdio, acabou”


“Há associações que vão ter cortes de 30, outras de 70 e outras de 80 por cento. Mas outras há que podem ter um aumento de vinte por cento. Tudo depende dos projetos que nos apresentem e das mais valias que tragam para o concelho”, explicou.
“A cultura do pedido de subsÃdio, apesar de terem verbas para subsistência, acabou”, sublinhou o autarca.
Rondão Almeida esclareceu que é necessário “criar critérios” para a atribuição de verbas à s associações e, que desta forma, “até ao final do ano será aprovado um regulamento com as formas possÃveis para atribuir subsÃdios”.
Outro dos pontos focados pelo autarca foi a sensibilização da massa associativa para a criação de uma Federação que funcionasse como interlocutor das várias associações existentes no concelho.
“Este organismo serviria, por exemplo, para a calendarização de atividades e atribuição de verbas anualmente. Elvas tem de ser uma cidade dinâmica 365 dias por ano, com dois ou três grandes eventos anuais que integrem a agenda turÃstica, cultural e desportiva, trazendo visitantes nacionais e espanhóis”.


Rondão apelou também à reanimação de algumas atividades com tradição no concelho e que envolvem um turismo de qualidade:
“O Clube de Tiro e Caça, por exemplo, é uma modalidade que traz centenas de pessoas que ocupam os restaurantes e hotéis da cidade, o Complexo de Ténis, o hipismo, os desportos náuticos”, enumerou.


No final, e em declarações à Perspetiva, Rondão Almeida fez um balanço deste primeiro encontro, no qual, a maioria dos presentes “entendeu” o corte e os argumentos apresentados, sustentando que há necessidade de encontrar novas formas de tornar sustentáveis as associações.
“Governar, ouvindo”


“Tal como eu dizia em campanha, isto é governar ouvindo. E esta é a nossa preocupação. Primeiro temos de explicar quais são os nossos objetivos em cada uma das áreas e depois tentar ouvir quais são as preocupações do movimento associativo, uma vez que terão de ser eles os grandes promotores da atividade cultural, desportiva e social. A Câmara terá sempre uma palavra para lhes criar as condições necessárias, quer sejam logÃsticas, material, recursos humanos e financeiro”.
Autarquia não tem, neste momento, dinheiro para concorrer a projetos financiados


Quando questionado sobre a atual situação financeira do municÃpio de Elvas e se a mesma era preocupante, Rondão explicou a necessidade de ter encaixe e fluidez financeira para poder concorrer aos grandes apoios anunciados que estão para chegar.
“Não há uma situação financeira que nos preocupa em demasia, é uma situação financeira que nos leva a pensar que temos muito para fazer e temos de ter recursos próprios (da autarquia) para podermos concorrer aos fundos que vão aparecer, porque quando efetivamente nos cedem um milhão de euros, temos de ter pelo menos 250 mil e, por isso, para nos podermos candidatar temos de ter recursos próprios para pagar a nossa componente e isso, neste momento não existe”.
Rondão Almeida explicou mais concretamente o procedimento: “se tivermos a falar de um investimento de 30 milhões de euros para um ano, retiramos 20 por cento, estamos a falar de seis milhões. Por cada milhão de euros, temos de ter 200 mil na nossa carteira e isso só se consegue fazer agarrando nas contas correntes, entre a receita que entra e as despesas correntes, e conseguir, todos os anos, arranjar um superávite entre 4 a 5 milhões de euros”.












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