Eram bem mais divertidos os tempos dos rolos nas máquinas fotográficas!
Quem não teve um daqueles episódios em que pensávamos estar a registar para sempre as férias inesquecíveis e, na altura de revelar as fotos, percebíamos que alguém se tinha esquecido de colocar o rolo?
Mas, eram tempos de maior critério. De seleção. O momento a fotografar era de facto o momento. Percebíamos que era algo que tinha de ser registado. Aquilo saía caro e por isso não havia muito espaço para a experimentação. Era o momento que cristalizávamos e que elegíamos como parte da nossa história.
Fotografar, nos tempos da digitalização, tornou-se um acto banal. E as redes sociais só vieram ajudar a tornar os momentos fotografados, menos especiais. É bem verdade que as redes sociais têm ajudado a descobrir alguns talentos escondidos. Alguns fotógrafos tímidos encontram no Facebook e no Instagram bons palcos para a divulgação dos seus trabalhos. Bem-vindos, esses.
Mas, a fotografia tem sido muito mal tratada nas redes sociais. Apropriámo-nos da técnica, mas esquecemo-nos da estética e da beleza que um disparo encerra. Fotografamos tudo. E, sobretudo, fotografamo-nos. Uma vez e outra. Tantas vezes as que forem necessárias para mostrar aos outros que estivemos lá. A Torre Eiffel já não vale por si só. É preciso mostrar a Torre Eiffel comigo lá. E de preferência, o primeiro plano é meu. A dita torre, fica a fazer de cenário.
Aparentemente, todos os dias há uma fotografia nova de mim para mostrar. Mudam-se perfis a toda a hora, forçam-se sorrisos e trejeitam-se lábios. Pouco importa o lado criativo, estético e até artístico da fotografia. Menos ainda, parece importar o valor do momento. Aquele que antes servia para mais tarde recordar. O evento fotografado hoje em dia é tão banal que daqui a uns anos tudo nos parecerá igual.
Susan Sontag dizia que o acto de fotografar é em si mesmo um acontecimento e Roland Barthes falava de um valor superior daquilo que é fotografado. Mas é muito difícil identificar este lado afetivo, único e “do pormenor que chama a atenção” em muitas fotografias que hoje pululam nas redes sociais.







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