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Fernanda SesifredoOpinião
30 Outubro, 2017

De tudo um pouco

Nunca mordi ninguém, não tenho sete vidas, não dei a provar do meu veneno a ninguém e só servi a um só amo.

Já fui cão, gato, serpente e burro.

Fui fogo terra e água.

Fui sombra, porto de abrigo, pedra, sola de sapato e tapete.

Fui semente, filha e sou mãe.

Fui homem e mulher, nunca monstro e sempre bela.

Nunca mordi ninguém, não tenho sete vidas, não dei a provar do meu veneno a ninguém e só servi a um só amo.

Deitei-me fogo e dormi com o ar.

Comi quanta terra outros quiseram, desejando que o mar cuspisse a maior vaga e me pusesse de novo a descoberto.

Perdi a sombra, fechei o porto de abrigo, da pedra fiz uma calçada, da sola de sapato um marcador de livros e do tapete fiz um quadro.

Fui semente e filha em solo árido. Os filhos que pari lá saberão quem sou.

Sou mulher de um só homem e homem de uma só mulher e sou também do mundo.

Quem disser que não é um pouco de tudo, mente! Mente até morrer e, nesse momento, será um POUCO tarde para TUDO.

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