André SilvaOpinião
21 Novembro, 2016

Pais Coragem!

Viver em Lisboa não é o mesmo que morar em Elvas ou numa qualquer localidade do interior. Poucos são os vizinhos que conhecemos. Mas se a indiferença do dia-a-dia não nos toca, há momentos como estes que nos fazem sentir ainda mais impotentes.

Ainda meio a dormir, depois de adormecer no sofá, acordo com gritos vindos da rua. Pensava eu. O som do choro é de uma mulher, em pânico, no prédio ao lado do meu. Ao mesmo tempo ouço um homem que chama pelo Pedro.

Não consigo pensar no que possa estar a acontecer mas ao mesmo tempo começo a imaginar todos os cenários e mais algum. À janela, enquanto puxo de um cigarro perante tal nervosismo, apercebo-me que são os pais de uma criança que chamam pelo filho e que este não dá sinal de vida. Depois dos gritos de pânico, surge um ainda mais forte do pai para que a mãe peça ajuda. Confesso: fiquei em choque!

Viver em Lisboa não é o mesmo que morar em Elvas ou numa qualquer localidade do interior. Poucos são os vizinhos que conhecemos. Mas se a indiferença do dia-a-dia não nos toca, há momentos como estes que nos fazem sentir ainda mais impotentes.

Ouço um choro de criança. A ambulância chega ao mesmo tempo (ainda estou a pensar como conseguiu o operador do 112 entender a mãe em pânico ao telefone admitindo a morte do filho). Os pais estão mais calmos. Força Pedro!

Não sei que mais episódios teve esta madrugada mas acredito que tudo não passou de um susto. Felizmente, Pedro!

Ter um filho é dos atos mais nobres que a vida nos pode proporcionar, certamente. Ainda não sou pai mas não tenho nenhumas dúvidas sobre isso. Mas este é ao mesmo tempo um ato de coragem que todos os dias nos testa. Seja pelo mais ínfimo pormenor ou até por estes valentes sustos que nos pregam.

O final desta história, creio, foi feliz. Mas outros há em que o mundo nos desaba aos pés pela impotência que sentimos se nada pudermos fazer. E aí, mais do que nunca, há que ser Pais Coragem para enfrentar o dia seguinte!

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