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ActualAndré SilvaOpinião
8 Março, 2017

A história não se apaga

Acordei esta terça-feira com a notícia que há muito estava anunciada mas que a força de viver foi adiando. Sabia-se que – mais dia, menos dia – a cobardia do silencioso cancro nos roubava uma das pessoas mais queridas da cidade e que mais fez por Elvas. É por isso que tenho a certeza que todos perdemos com a partida de Elsa Grilo.

Felizmente tive o gosto de me cruzar em diferentes circunstâncias com Elsa Grilo e posso recordar os melhores momentos para sempre. São esses que vão ficar na memória e que a história não apagará.

Vejo partir aquela que começou por ser a Dr.ª Elsa e eu um aprendiz desta arte de informar que é hoje a minha profissão. Mas se nos cruzámos em trabalho e em momentos de perguntas e respostas complicadas, também tive o privilégio de construir uma amizade com Elsa Grilo onde os formalismos ficaram de parte. Sempre soubemos separar as águas com elevação e, acima de tudo, o maior respeito. Trabalho é trabalho e… off the record é off the record!

Ainda assim, não misturando o campo pessoal com o profissional, não deixei nada por dizer em termos políticos (quando deixei de exercer a minha profissão em Elvas) aquela que era hoje o verdadeiro motor do movimento independente que nas próximas eleições autárquicas se vai apresentar a sufrágio. Desde o meu ponto de vista sobre a crise política que Elvas viveu até ao momento do início dos trabalhos do tal grupo de pessoas que se propõe governar os destinos do concelho e dos elvenses. Talvez tenha sido essa sinceridade e frontalidade que permitiu criar uma amizade com Elsa Grilo, mesmo não concordando muitas vezes com os seus pontos de vista.

Mas não é da ciência política e das convicções político-partidárias que quero falar. Apenas trago a política à luz desta reflexão de homenagem para destacar a enorme força e coragem com que Elsa Grilo enfrentou a doença. Não tenho dúvidas que a política adiou até onde conseguiu este desfecho. Mesmo com a atividade política como fator desgastante foi nela que bebeu a energia para continuar a lutar pela vida até esta terça-feira quando o corpo deixou de aguentar. Ganhou tantas batalhas que é inglório perder a guerra desta maneira.

Afinal de contas, a política é um vício. Tal como o bichinho da rádio que terei para sempre até ao vício da televisão atualmente. Cansa-nos mas faz-nos viver.

Segundo Rondão Almeida, Elsa Grilo exprimiu como uma das últimas vontades que não se tomasse qualquer deliberação pelo executivo camarário a propósito da sua morte. Pelo que percebi, Elsa Grilo não quis homenagens porque foi com humildade que serviu Elvas. Mas não podemos dissociar o facto de a convivência não ser sã desde os tempos da crise política para os lados da rua Isabel Maria Picão. Ainda assim, esta era a sua vontade e só tem que ser respeitada.

Contudo, não concordo com a ausência das cerimónias fúnebres de Nuno Mocinha, Manuel Valério, Vitória Branco, Tiago Afonso e Tiago Abreu a título pessoal. “A política não é mais importante do que a vida” foi uma das frases que uma vez disse a Elsa Grilo e que aqui se aplica também. Acredito que no campo pessoal nada tinham uns contra os outros.

Estou fora de Elvas há quase 12 anos porque a vida académica e profissional me trouxe por este caminho longe da minha cidade mas nunca deixei de acompanhar a atualidade de Elvas e de ter opinião. Até aquela que publicamente vos dou em Perspetiva. Por isso digo (e termino como comecei): Um excelente ser humano e uma enorme profissional que recordarei para sempre. Elvas perdeu uma grande mulher em definitivo precisamente no dia que é seu!

Até sempre, Elsa Grilo.

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