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Miguel AntunesOpinião
7 Maio, 2017

Cantos da Carreira

Houve tempos em que tudo o que se passava em Elvas passava pelos cantos da Carreira. Era a rede social da época.

Volta ao bilhar grande e regresso aos cantos da Carreira…

Houve tempos em que tudo o que se passava em Elvas passava pelos cantos da Carreira. Era a rede social da época. Por ali passámos e passamos todos, talvez hoje em dia sem muitas vezes pensarmos que este espaço mítico da cidade de Elvas foi o verdadeiro tensímetro pelo qual se sabia o andar da nossa terrinha.

Na verdade tudo tem a sua explicação e convém não nos esquecermos da nossa história. Incorporá-la no nosso dia-a-dia significa honrar os elvenses de outrora, fazendo-a presente aos do amanhã as tradições e recordações que são os alicerces da Elvas futura.

Hoje os cantos da Carreira são bazares orientais, lojas de atoalhados, pastelarias e wine shops. É a evolução natural das necessidades da nossa urbe adaptando-se ao século XXI.

Mas de onde provém esta devoção elvense aos cantos da Carreira?

Vai ser com D. Manuel I que a cidade de Elvas abandona a sua fisionomia medieval e abrindo-se ao humanismo e ao novo gosto europeu do renascimento. Com o reinado do rei Venturoso ergue-se uma nova igreja destinada a ser sede episcopal e abre-se uma praça fronteira, demolindo antigas casas junto à muralha almóada, e aproveitando parte desse muro islâmico para erguer os novos paços do concelho.

Comunicando este novo centro de poder da cidade com a feira, que tinha lugar do outro lado da muralha, cruzava-se a porta de Santiago e entrava-se no campo da feira e no recanto que conhecemos como os cantos da Carreira. Canto esse que foi o centro de encontro medieval da cidade, local onde deverão ter existido umas casas municipais no qual se reuniam os poderes municipais, frente ao campo da feira.

Os principais acontecimentos medievos locais tiveram como cenário os cantos da Carreira, cuja tradição de local de reunião popular permanece na memória dos elvenses. Verdadeiro cruzamento das antigas estradas que saiam de Elvas.

Ir ao centro, ou “à cidade”, era passar pelos cantos da Carreira. Recordo-me do último quartel do sec. XX onde as joalharias, papelarias, lojas de sapatos, drogarias e bancos emolduravam este recanto de Elvas.

A agitação de uma urbe rural, cheia de recrutas de sotaques diferentes, com os autocarros saindo para os arredores da cidade ao som do característico: “atenção à partida!”, Enquanto quem vinha de fora aproveitava para saber das últimas aqui nos cantos da Carreira.

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