António Esteves
23 Setembro, 2015

Portugal numa fase histórica

É do PS o papel principal nesta trama política e a quem se colocam grandes desafios; saber negociar com o futuro governo sem ser acusado pela esquerda de estar a alinhar com a direita contra o país ao promover a austeridade

Depois das eleições o país está no início de uma nova e histórica fase em mais de quatro décadas de democracia.

Há uma coligação de direita, que teve mais votos e mais mandatos e que se prepara para governar o país, e uma maioria de esquerda no parlamento que poderá não apenas inviabilizar a governação atirando chumbo grosso contra as medidas mais importantes e estruturantes que o novo governo quer implementar, como até provocar a queda do executivo antes mesmo de ter governado.

O momento é decisivo e grave e o PS surge nesta equação da história como o partido que está no fiel da balança. Os socialistas podem negociar à esquerda e à direita e poderiam até integrar um governo de qualquer das maiorias. Mas isso não vai acontecer.

Não vai acontecer à direita porque o PS quer rigor sem austeridade e a coligação exige o respeito pelas metas definidas pelo Tratado Orçamento, pelo Pacto de Estabilidade e pelo Plano de Reformas. Os socialistas avisaram ainda na campanha eleitoral que defendem uma interpretação inteligente do Tratado Orçamental, o que implicaria governar em choque frontal com Bruxelas.

O PS também não vai governar à esquerda, porque os socialistas não podem integrar um governo com partidos anti-europeus, que admitem não respeitar as regras da actual construção europeia, os limites da moeda única e as regras da política de segurança e defesa comum no âmbito da NATO.

O momento é decisivo. À coligação pede-se que saiba gerar consensos e compromissos, evitando as ruturas e uma crise política que teria de durar até setembro por força dos prazos constitucionais, ao PS pede-se sentido de responsabilidade, sabendo impor à coligação as linhas vermelhas que definiu na campanha eleitoral sem cair em situações extremas que derrubem um governo que terá de durar um ano ainda que sem orçamento e em regime de duodécimos.

É do PS o papel principal nesta trama política e a quem se colocam grandes desafios; saber negociar com o futuro governo sem ser acusado pela esquerda de estar a alinhar com a direita contra o país ao promover a austeridade, saber gerir os próximos meses com pinças evitando que a direita venha a vitimizar-se em futuras eleições antecipadas e repetindo o que aconteceu a Cavaco em 1987, uma maioria absoluta.

Ao país pede-se que espere com serenidade, e que nestes dias conturbados o governo, seja ele qual for, seja obrigado a falar em português suave com um aligeirar da austeridade que todos esperamos e merecemos.

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