ActualFernanda SesifredoOpinião
12 Setembro, 2017

Maçã, tu

Deixei esse amor que te tenho passar sede e fome. Deixei esse amor mirrar e agora, só agora te choro por amor.

Amor:

Amo-te depois do amor. Amo-te mas deixei que fosses. Arremessei-te porquês, fiz mil silêncios, subtraí muitos abraços e carícias. Tornei-me escrava do tempo que se resume a mil empreitadas desgastantes supérfluas e nelas me embrulhei durante tempo demais.

Não, não foi por me ter esquecido de ti mas porque te tinha como certo todos os dias. Dias que passavam sem o que o amor consome. Deixei esse amor que te tenho passar sede e fome. Deixei esse amor mirrar e agora, só agora te choro por amor.

Foste e, na tua ausência, que depressa me dispus a dar tempo ao amor. Tempo que me trouxe tempo para reflectir e querer amar-te e num somatório de abraços, mil palavas e carícias desbravando um caminho que ainda poderá ser partilhado.

Disseste que já não me amas. Disseste-lo num tom de voz muito baixo sem cruzares os teus olhos com os meus. Na ausência desse gesto afoguei-te em porquês e deixei-te ir.

Se quero que voltes? Quero, quero que voltes.

Não te mergulharei em porquês e deixarei que esvoaces pela nossa casa como melhor te aprouver.

Neste minha carta, preciso de te dizer que sei agora do tempo supérfluo e que te amo incondicionalmente. Que te choro a cada memória antes do amor que subtraí, a cada noite sem te ver e te ter. Quero ver-te e, imbuída em muitos silêncios multiplicar todo o amor que também tu já me deste.

Ainda que em silêncio, volta!

No teu regresso, o tempo saberá de nós, da nossa sorte e do nosso amor, meu amor!

About this author

0 comments

There are no comments for this post yet.

Be the first to comment. Click here.

Deixar uma resposta