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ActualRegional
21 Agosto, 2019

Guerra aberta na Associação dos Bombeiros Voluntários de Elvas

Direção destituída; criada Comissão Administrativa; auditoria interna avança. Comandante garante serviço operacional e socorro à população.

A Direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Elvas, liderada por Amadeu Martins, foi destituída pela Mesa da Assembleia Geral, em reunião ocorrida no passado dia 20 de agosto, terça feira.

O mesmo órgão presidido por João Pedro Bugio decidiu a constituição de uma Comissão Administrativa e deliberou, por unanimidade, a realização de uma “auditoria interna à Associação dos Bombeiros Voluntários de Elvas”.

A Comissão Administrativa é constituída por João Pedro Bugio; Fátima Quaresma e Joaquim Cordeiro.

João Pedro Bugio: Comissão garante o normal funcionamento da Associação

Em declarações à Perspetiva, João Pedro Bugio afirmou que, para já, a Comissão tem por objetivo garantir o “normal funcionamento da Associação e efetuar uma auditoria interna”.

Relativamente à auditoria, João Pedro Bugio, afirmou que é algo a fazer urgentemente, pois “não há qualquer esclarecimento, ou prestação de contas, por parte da direção destituída relativamente a 2019, logo não podemos aferir o que quer que seja, simplesmente não há”.

“As equipas que vão desenvolver a auditoria ainda estão a ser constituídas”, assegurou.

Quanto às eleições, João Pedro Bugio, espera que sejam “o mais rápido possível”.

Tiago Bugio: Serviço operacional e socorro à população garantidos

O comandante da Associação dos Bombeiros Voluntários de Elvas, Tiago Bugio, esteve presente na reunião, mas escusa-se a fazer qualquer comentário sobre a atual situação, afiançando, contudo, que “o serviço operacional e socorro à população não estão postos em causa”.

Petição Interna para destituição da direção

Esta decisão resulta de uma petição interna, que no presente mês de agosto, foi entregue ao presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação dos Bombeiros Voluntários de Elvas assinada pela maior parte do corpo ativo, para a destituição da, até então, atual Direção da mesma associação.

Desta forma, os membros da Mesa da Assembleia Geral reuniram-se a 20 de agosto “para avaliar a conduta da, até então, atual Direção”.

Para além deste da petição entregue pelos Bombeiros Voluntários de Elvas, houve outros motivos que levaram a esta tomada de posição:

Motivos Evocados:

Elvas sem Equipa de Intervenção Permanente

“Aquando da indicação de uma Equipa de Intervenção Permanente para os Bombeiros Voluntários de Elvas, em fevereiro de 2019, a Direção manifestou impossibilidade em constituir a mesma. Esta decisão resultou na não indicação de uma Equipa de Intervenção Permanente, sendo Elvas, a par com Alter do Chão, os únicos concelhos do distrito que se veem privados desta equipa de resposta imediata, prejudicando os interesses dos Bombeiros e, acima de tudo, dos habitantes e do património do concelho de Elvas, aquele que mais ocorrências regista no seu distrito”, pode ler-se no documento.

Bombeiros de Elvas sem alimentação condigna

Depois, “com a época de incêndios de 2019 (DECIR 2019), a Associação dos Bombeiros Voluntários de Elvas foi questionada acerca da disponibilidade para assumir a logística da alimentação, garantindo a correta utilização dos 7,50 euros atribuídos pelo Estado por refeição a cada bombeiro”.

Como resposta, “manifestou o presidente da Direção uma indisponibilidade para assumir tal suporte logístico, sendo necessária a intervenção posterior da Câmara Municipal de Elvas para que se manifestasse ‘disponibilidade condicionada’”.

“Sabendo que as ocorrências não têm hora marcada, a existência de condicionamentos horários previamente definidos para as refeições limita o acesso a alimento por parte dos Bombeiros de Elvas, ato de gestão que evidencia a falta de preocupação da Direção, comprovada nos incêndios no concelho de Elvas nos dias 5, 6 e 16 de Junho de 2019, em que os Bombeiros Voluntários de Elvas não tiveram qualquer alimentação condigna”.

Direção recusa entrega de ata e documentação

“A 30 de julho de 2019, o presidente da Assembleia Geral solicitou por e-mail, ao presidente da Direção, a última ata de reunião de Direção assinada pelos elementos presentes na mesma, bem como a aprovação de contas pela Direção e o relatório aprovado pelo Conselho Fiscal referente ao exercício do ano de 2018, ambos devidamente assinados pelos seus membros”. Como resposta, “foi obtida uma promessa de envio assim que possível, sem que até à presente data tenha sido feita”.

“A inexistência de tais documentos boicota a avaliação do funcionamento da Direção da Associação, uma vez que os mesmos são garante da legitimidade dos atos da Direção, ao indicar quando se realizam, com que periodicidade e quais as suas decisões”.

Assembleia Geral Decide: Direção sem condições para exercer

Posto isto, a Mesa da Assembleia Geral da Associação dos Bombeiros Voluntários de Elvas entendeu que “a atual Direção não detinha as condições mínimas para a continuação de exercício das suas funções”, pelo que, “nos termos do artigo 80º dos estatutos da mesma associação”, deliberou a sua destituição.

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