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ActualAna CamachoOpinião
25 Janeiro, 2018

A minha Supernanny

Se um dos pais bate num filho, já não é agressão, é educação com amor.

Sobre a educação das crianças todos temos algo a dizer. Visões, vivências e experiências diferentes. Uns defendem uma educação mais severa e regrada, outros a liberdade absoluta.

Muitos são os que, felizmente, praticam uma educação assente no diálogo, na compreensão, nos olhos-nos-olhos.

Outros assumem castigos, gritos, repreensões e até “uma palmada na hora certa, coisa que nunca fez mal a ninguém!”. Pois bem, esta da “palmada na hora certa” é uma coisa que me vira do avesso. Quando é a hora certa? Onde e como se decide isso? Ser mãe ou pai dá-nos o poder para? “É só uma palmada!”.

Entre marido e mulher também é só um “encostãozinho”, ou uma “chapadinha”. Mas não, neste caso é agressão, logo violência doméstica.

Se um dos pais bate num filho, já não é agressão, é educação com amor. Eu também sou do tempo do chinelo, da colher de pau e até da vassoura. Confesso que no meu caso foram e continuam apenas a ser, respetivamente, calçado, utensílio de cozinha e de limpeza. A minha mãe nunca me bateu, muito embora eu fizesse por isso. Sempre nos educou com muito amor, compreensão, muito colo, muito mimo, muito diálogo.

O mais longe que ia era: “Ana Raquel, chega aqui à mãe!”. Ui, sentido! Sem gritos, sem empurrões, sem palmadas. Num tom firme, era explicado o porquê da coisa e na maior parte das vezes dava-me liberdade de escolha: ” Se quiseres podes ir… Podes fazer… Eu preferia que não o fizesses e se o fizeres continuo a amar-te mas vais decepcionar-me!”.

Este “vais decepcionar-me” ecoava na minha cabeça e só a hipotética sensação de a poder magoar fazia-me retroceder.

Confesso que às vezes fui longe de mais. Por vezes, disse e fiz coisas que a decepcionaram. Nunca me levantou a mão. Nunca fiquei sentada num canto, num tapete, numa cadeira. Nunca me puseram a pensar. Tudo me foi explicado. Juntos, em conjunto.

Nunca ficaram dúvidas ou os “Só porque sim. Quem manda aqui sou eu!” Lá em casa mandava ela. Ponto. Mas fazia-nos crer que mandávamos todos. Pois éramos levados a fazer o que estava certo com tamanha doçura, olhos-nos-olhos, com tanto amor, que até corria bem. Havia regras, horários e tarefas. Mas havia amor. Muito amor! Esta é a minha mãe. Foi a educação que tive e que defendo. Cada um defende a sua.

Mas estou capaz de jurar que só respeita quem é respeitado. Só se aprende com base na paciência, na compreensão e no amor. Ninguém aprende a levar porrada. Criança, adulto ou velho.

E, para mim, todos os pais são Supernannys e gosto de acreditar que mesmo os que são apologistas de outros tipos de educação que o fazem acreditando ser o mais certo.

A eles, deixo uma frase que o pai da minha filha, com a doçura que lhe é característica, me disse há duas décadas atrás: “Seja qual for a pergunta, o amor é sempre a resposta!”.

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